Estudantes de Educação Física da UFMT reclamam do atraso na obra do COT fotos
Gilberto Leite
Planejada para Copa do Mundo de 2014, obra do COT da UFMT está 85% concluída e custo passa dos R$ 20 milhões; capacidade é para 1,5 mil torcedores
Prometido para a Copa do Mundo de 2014, há três anos, o Centro Oficial de Treinamento (COT) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) só vai ficar 100% pronto e será entregue à Universidade no Natal deste ano. Isto segundo o secretário de Estado das Cidades, Wilson Santos (PSDB). Contudo, os estudantes do curso de Educação Física não acreditam que o prazo de entrega possa se concretizar. Sem local apropriado para a prática de atletismo e futebol, os estudantes do curso são os principais prejudicados.
Patrick Jehan, 22 anos, cursa o segundo ano do faculdade de Educação Física. Ele conta que a disciplina mais afetada com as obras do COT foi a de atletismo. “Nós tivemos que nos deslocar para outro local para pode fazer a disciplina, para o complexo Dom Aquino e também para o Sesi em Várzea Grande. Para isto, a universidade teve que pedir autorização, correr atrás de ônibus para transportar os alunos. No caso, se tivesse pronto aqui, poderíamos utilizar”, conta.
Gilberto Leite
Thaymara reforça que disciplina de atletismo foi a mais atingida com morosidade das obras
Em agosto, Wilson Santos garantiu que o Centro de Treinamento será entregue antes do Natal, em dezembro. A obra está 85% concluída e o custo passa dos R$ 20 milhões. “Se Deus quiser, se não chover, até o final do ano Cuiabá terá mais esse presente. Se Deus quiser, no Natal, vai ser um presente para a universidade”, afirma o tucano, durante uma vistoria ao local. Mas Patrick contesta: “No Natal? Não, acho que as obras terminam em fevereiro nesse ritmo”, opina.
Colega dele, Thaymara Mikoni, 22 anos, vai na mesma linha e também acha que o COT não sai este ano. Além disso, Thaymara reforça que a disciplina de atletismo foi a mais atingida com a morosidade das obras.
“Fica prejudicada pela questão das disciplinas. Pelo fato de ser um curso de Educação Física, a gente tem muitas aulas práticas. Às vezes a gente tem que dividir o ginásio com outras turmas, tem que ir para outros locais. A matéria de atletismo foi a principal prejudicada. Aqui tem muita árvore em volta, facilitaria muito, no outro local não tem esse arborismo”, avalia.
Outra questão levantada foi o fato de que o campus poderia estar recebendo campeonatos de fora. “Mas a sociedade como um todo também foi atingida. Esse espaço poderia ser utilizado por outras pessoas, receber campeonatos. Pelo fato de ser uma universidade pública, deveria acelerar para voltar para a sociedade, para que esses benefícios voltem para a sociedade, sendo que esse dinheiro vem da sociedade”, conclui Thaymara.
Gilberto Leite
Jonatha fica indignado pelos alunos que têm de fazer trajeto longo para cursar atletismo
Jonatha Flávio Lemes, de 23 anos, faz mestrado em Educação Física. Ele teve atletismo bem antes das obras começarem, mas se sente indignado pelos outros alunos, que têm de acordar cedo e fazer um trajeto longo para poder cursar a disciplina. “A disciplina começa às 6h30. Então, eles têm que vir aqui antes das 6h30, pegar o ônibus e ir para o Dom Aquino. Já para o futebol é usado um outro campo dentro da faculdade mesmo, só que ele é distante do nosso bloco, lá em cima, e tem que se deslocar do mesmo jeito. Atrapalha muito”, diz.
Jonatha é outro que acredita que a obra não fica pronta no Natal. Eles prometeram solado de borracha, mas estão colocando brita de novo, brita por brita, era melhor não ter mexido em nada. Eu já ouvi que em 2015 ia estar pronta, eu já ouvi que 2016 ia estar pronta, que no início deste ano ía estar pronta”, finaliza.
A obra
O COT construído ao lado do Ginásio Poliesportivo da UFMT foi idealizado pelo arquiteto e professor da instituição José Afonso Portocarrero. O centro conta com capacidade para 1,5 mil torcedores, campo de futebol, além de instalação das estruturas e arquitetura, fundações, terraplanagem, drenagem, pavimentação, estrutura metálica, instalações hidrossanitárias, elétricas, telecomunicações, luminotécnica, climatização e ventilação, prevenção e combate a incêndio, paisagismo, gramado e comunicação visual.
As obras foram retomadas em abril. O canteiro de obras conta com cerca de 30 trabalhadores. A parte de drenagem da obra já está finalizada e tiveram início os serviços de terraplanagem para instalação da pista emborrachada, que tem consultoria da empresa Playpiso, especializada nesse tipo de obra.
Conforme informou a Secid, a obra teve início em março de 2013, tinha prazo de execução de 300 dias e deveria ter sido finalizada no início do ano de 2014 para utilização durante a Copa do Mundo. O valor do contrato é de R$ 17,1 milhões, subsidiados pelo Ministério dos Esportes. Empresa responsável: Engeglobal.
O COT Integra os Termos de Ajustamento de Gestão (TAG). Ao todo, o projeto prevê a construção de 5,4 mil metros quadrados.
No projeto apresentado pela UFMT, a pista de atletismo terá 400 metros e oito raias, conforme prevê a Confederação Brasileira de Atletismo. Além disso, a pista que é vulcanizada e foi comprada na Itália, terá dupla camada de borracha natural e sintética (polysoprene), além de acessórios físicos.
Essa pista será construída em duas etapas, sendo uma realizada pelo governo e outra pela UFMT. A parte do governo é a base do concreto avaliada em R$ 1,5 milhão. O restante é referente à parte de tecnologia, em tese a mais cara, e de responsabilidade da UFMT.