Cuiabá, 19/09/2026

Estudo detalha 10 pontos com risco de desmoronamento no Portão do Inferno

Relatório contempla trecho entre o km 42 e o km 48 da Estrada-Parque MT-251, que liga Cuiabá à Chapada

Sinfra-MT

Vista do início do ponto 01: risco de rolamento de blocos em direção à pista, cuja borda está a 35m da encosta

Um estudo da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Sinfra) aponta dez pontos críticos com riscos de rolamentos e deslizamentos pela pista da MT-251 no trecho do Portão do Inferno. O relatório foi divulgado após o deslizamento de terra em um trecho da região nesta semana, que causou preocupação à população e às autoridades.

O estudo contempla trecho entre o km 42 e o km 48 da Estrada-Parque MT-251 e aponta os riscos de instabilidade das encostas no entorno do segmento viário, na condição em que se encontram e as medidas alternativas de soluções.

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Blocos com instabilidade tácita (setas amarelas) e a geometria do talude residual formando plataforma que favorece o rolamento no Ponto 01 (seta vermelha)

Conforme o estudo, a instabilidade da escarpa, que é a área íngreme que faz a transição entre as rochas e a rodovia, está relacionada a descontinuidades como fissuras, fendas de tração e deformações.

"Durante chuvas torrenciais, a pressão de água no interior dessas descontinuidades favorece movimentos de tombamento desses blocos. As estratificações parecem não condicionar movimentos de massa", diz trecho do estudo.

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Segundo o relatório, a erosão ou a degradação da base do arenito favorecem o descalçamento desses blocos, ativando movimentos de queda. "Os blocos mais altos são aqueles que podem se manter coesos após o início do movimento, o que os torna mais propensos a movimentos de rolamento", explica o documento.

Essas quedas, tombamentos e rolamento de blocos podem ocorrer em toda a extensão e tornam-se mais perigosos quando as rochas e as escarpas estão mais próximas da rodovia.

Conforme aponta o relatório, toda a escarpa da Chapada é potencialmente instável. "Eventualmente porções de rochas sedimentares se movimentam por queda, tombamento e, ocasionalmente, por rolamento. Desta forma, os segmentos em risco são identificados de acordo com a altura da escarpa e com a proximidade entre ela e a pista", aponta o estudo.

O relatório detalha os problemas de cada um dos dez pontos críticos. Um dos pontos mais perigosos fica no km 47, na curva mais acentuada do Portão do Inferno, onde tem blocos altos instáveis muito próximos da pista, e é um local com grandes fendas e trincas, com risco de queda direta na pista.

Já no km 43, a encosta tem grandes blocos instáveis de 80 metros de altura. Nesse caso, o tombamento de blocos pode resultar em rolamento e atingir a pista. Fotos da área mostram esses blocos e as descontinuidades que podem gerar o rolamento.

Entre o primeiro e segundo ponto, mesmo com a encosta afastada da pista, existem vários blocos muito próximos do acostamento, demonstrando que o rolamento é um movimento recorrente.

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Imagens dos blocos compartimentados e proeminentes no Ponto 07, exibindo fraturas com persistência, baixa rugosidade e que conferem à encosta um grande risco de quedas e tombamentos de massas volumosas sobre a pista

No km 44, dois pontos têm, além dos blocos instáveis, materiais com capacidade de tombamento e deslocamento até a rodovia. No km 45, o ponto indicado como o oitavo, o problema não é tão visível por estar embaixo do viaduto.

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Talude negativo do lado direito da rodovia abaixo do viaduto, indicado como Ponto 08

Segundo a Sinfra, o parecer técnico foi enviado para o Governo Federal para que medidas sejam tomadas para evitar futuros desmoronamentos e acidentes fatais, mas ainda não houve resposta.

"Sempre que fizemos os estudos, eles foram repassados para os órgãos federais. Estamos tentando ter a administração do Parque de Chapada e eu não sei o motivo pelo qual o Governo Federal não dá a Mato Grosso o gerenciamento do Parque Nacional de Chapada. Talvez se estivéssemos com essa administração, já teríamos resolvido o problema", disse o secretário de Infraestrutura e Logística, Marcelo Oliveira, em entrevista coletiva nessa quarta-feira (13).

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Imagens da estrutura proeminente muito próxima à MT-251 com blocos altos instáveis, taludes negativos e grandes fendas e trincas mergulhantes para a pista (Ponto 09).

Conforme explicou o gestor, o ICMBio alegou que a responsabilidade de intervenção é da Sinfra, que inclusive já proibiu o tráfego de veículos pesados entre o Distrito da Água Fria e a Salgadeira.

"Já que ninguém tomou providências, a Defesa Civil do Estado foi até o local. Nós proibimos a passagem desses veículos pesados ali, por ser uma curva, causa frenagem e é um movimento que pode causar o deslocamento mais rápido daquela pedra", afirmou. Além da proibição, a Sinfra fará ações paliativas enquanto o problema não é resolvido de forma definitiva no local.