Família de dependente químico denuncia sumiço de rapaz após interdição em VG
PJC
Força-tarefa interdita quatro clínicas de reabilitação que funcionavam de forma irregular em Várzea Grande. Família de um paciente diz que parente sumiu
A família do dependente químico, D.M.C, 28, procura pelo rapaz desde a tarde de segunda (17) quando a clínica terapêutica Signorelli, onde estava internado há 3 meses, foi fechada por uma força-tarefa montada pelo Ministério Público Estadual (MPE) em parceria com a Polícia Civil, Politec, Vigilância Sanitária em Saúde e a Coordenação de Saúde Mental.
O irmão mais velho de D.M.C, que tem 37 anos e pediu para não ter o nome divulgado por temer represálias, reclamou que o caçula foi levado para 1ª Delegacia de Várzea Grande após a interdição da clínica e de lá fugiu. A mãe deles, uma idosa de 72 anos, foi informada por telefone que o irmão estava na delegacia e teria que ser levado para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). “Quando chegamos lá ele já havia desaparecido”, acusa. “Minha mãe só chora, já precisou de cuidados médicos duas vezes desde que tudo aconteceu e agora marquei um psicólogo para ela”, desabafa.
O primogênito fez buscas pelo caçula nas bocas de fumo de Várzea Grande. “Fui até um esgoto na Avenida 31 de Março, ao lado do aeroporto, lá tem 3 homens que estavam na Clínica Liberdade, a primeira fechada por essa força-tarefa”, revela.
Segundo o irmão mais velho, 5 clínicas foram fechadas em Várzea Grande por esta força-tarefa e quase 30 pessoas em tratamento voltaram para às ruas. Ele teve informação de que o caçula estava na Boca do Dragão, um famoso ponto de consumo de entorpecentes da região do Zero. “Fui até lá e mais de 20 pessoas que estavam usando drogas se esconderam. Um conhecido disse que o meu irmão estava lá, voltou a usar crack e não queria falar com a gente, mas agora ele já está em outro ponto de drogas ao lado do terminal André Maggi, mais de 50 pessoas ficam por ali. Eu não o vi”, disse. “Agora cadê as autoridades para irem lá levar comida para eles, dar banho e convencê-los a se tratar?”, questiona.
Além das clínicas Signorelli e Liberdade, segundo o denunciante, foram fechadas as clínicas de reabilitação Nova Mulher, Rosas de Saron e Vivare.
O familiar de D.M.C tinha consciência das denúncias de tortura e cárcere privado que pesava sobre os estabelecimentos, mas diz que nunca viu nada de anormal e nunca recebeu reclamação do irmão. “Eles usavam calmantes nos mais agitados. Mas meu irmão estava limpo há 90 dias, teve até exame toxicológico para provar”, argumenta. “Se havia irregularidades, por que não foi feito um acordo para as clínicas se adequarem?”, pergunta. “Bem ou mal meu irmão tinha quatro refeições por dia, tomava banho todos os dias, dormia em cama, tinha piscina e campo de futebol. O pessoal saia com ele para passear”, descreve.
Ele ainda lembra que o irmão caçula começou a se drogar aos 16 anos e causou muito sofrimento para a família, chegou a roubar em casa para trocar por drogas. “O Estado não garantia o tratamento dele. A comunidade Terapêutica foi a saída encontrada pela gente”, comenta. “Fazemos muito esforço para pagar os R$ 800 de mensalidade e daí vem os “direitos desumanos” falar que o local acontecia tortura. O que é tortura afinal? Meu irmão está na rua em condições sub-humanas, isso sim é tortura”.
Outro lado
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Autoridades dizem que as 4 clínicas interditadas em VG eram irregulares
De acordo com a assessoria do MPE, desde 2006 várias notificações foram feitas aos responsáveis pelas comunidades terapêuticas antes de ocorrer a interdição das clínicas. Entretanto, os proprietários nada fizeram para sanar as irregularidades.
O MPE diz ainda que ao todo 4 clínicas fechadas, duas no dia 13 e outras duas no dia 17 de dezembro. Todas possuem inquéritos abertos por problemas que vão de falta de alvará sanitário, ausência de responsável técnico perante o Conselho Regional de Medicina (CRM), medicamentos sem conhecimento de origem ou/e armazenados em locais impróprios até maus-tratos e cárcere privado.
Durante a fiscalização no priemiro dia, novas denuncias foram feitas às autoridades que culminou com a interdição de outros 3 estabelecimentos, inclusive com prisão de uma das proprietárias.
O MP fez o acompanhamento de todas as unidades interditadas, fez triagem e entregou uma lista com os nomes dos dependentes que estavam internados às autoridades como assistência social e delegacia daqueles que tinham algum inquerito.
Por meio de assessoria de imprensa, a Polícia Civil informa que a força-tarefa de fiscalização foi formada pelo Ministério Público Estadual (2ª, 4ª e 6ª Promotorias de Justiça de Várzea Grande), Polícia Judiciária Civil (1DP, 3ªDP, Regional e Central de Flagrantes), Vigilância Sanitária (Visa) de Várzea Grande, Politec e Coordenação de Saúde Mental.
Ao todo 134 pessoas, que estavam em 4 clínicas de reabilitação foram “desencarceradas” nos dois dias de ação. A Delegacia de VG informa que não consta indiciados com as inicias D.M.C.