Cuiabá, 30/09/2026

Fogo já queimou mais de 85% do parque das onças; satélites captam avanço vídeo

Mário Friedlander

O fogo já destruiu, até esta segunda (13), mais de 92 mil hectares do Parque Estadual Encontro das Águas, no Pantanal, onde é registrada maior ocorrência de onças-pintadas no mundo, quanto à visibilidade. Na reserva, vivem cerca de 80 delas, agora acuadas pelas chamas.

Neste contexto, circulam na rede fotos de animais com patas em carne viva, perda de peso visível e abatidos. Apesar de muito ágeis, é possível afirmar que pelo menos 3 onças estão feridas. Uma foi resgatada e inclusive mostrada em reportagem do Fantástico, no domingo (12). As outras duas sobreviventes já foram observadas por binóculo e estão "se virando", mesmo machucadas.

Mario friedlander

A área que já queimou representa 85% do total do parque, que tem 108 mil hectares. A análise é da ONG ambiental Instituto Centro de Vida (ICV), com base em imagens de satélite. Imagens, que são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Nasa, mostram a escalada do fogo, entrando para dentro da reserva, acuando a fauna e devastando a vegetação. 

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Predator importante

A ONG norte-americana Phantera, que atua no mundo há mais de 10 anos na proteção de felinos, como a onça-pintada, tem uma sede, no Brasil, em Porto Jofre, no Pantanal. Fica em uma fazenda chamada Jofre Velho.

Biológo responsável pela Phatera Brasil, Fernando Tortato, vê muitas razões para a gente defender a vida da onça-pintada. "Tem a questão ecológica, porque é um predador que dá equilíbrio à toda cadeia, tem um papel cultural muito forte e faz parte do Pantanal. Não tem como imaginá-lo, sem a onça-pintada, tuiuiu, as araras. Tem a questão ética, de garantia da vida apenas por existir e a questão econômica, já que é um dos principais atrativos do eco-turismo. Muitas pousadas do Pantanal têm pacotes exclusivos para observação de onças".

Fernando explica que é mais fácil observar onças-pintadas no Pantanal por conta da densidade da vegetação e também por estarem mais habituadas à presença humana, diferentemente de se deparar com uma delas em meio à floresta.

Segundo ele, elas são realmente muito ágeis, correm muito, mas a dimensão do fogo que atinge o Pantanal, agora, é muito alto e jamais visto. Para saber os impactos disso, as perdas, será preciso pesquisar mais.

Em condições de normalidade, uma onça, que é um felino, como os gatos, vive de 12 anos a 15 anos. Em meio a incêndio desta proporção, de acordo com Fernando, ainda não é possível saber se houve mortes precoces, quantas exatamente estão feridas, em que condições estão.

Antes desse cenário devastador, a reportagem do #rdnews foi ao pantanal conhecer o projeto Phantera Brasil.

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