Cuiabá, 20/09/2026

Fundado há 40 anos, Instituto dos Cegos de Cuiabá promove inclusão e autonomia para pessoas com deficiência visual

Entidade atende atualmente 400 pessoas e não tem fins lucrativos, se mantém com doações

Rodinei Crescêncio

Há mais de 40 anos, o Instituto dos Cegos de Cuiabá tem como objetivo proporcionar a inclusão de pessoas com deficiência visual, tanto nas escolas como no mercado de trabalho.

Antes de 1978, os cegos de Mato Grosso deveriam seguir para Campo Grande (MS) e frequentar o instituto de lá, já que era o local mais próximo. Para reduzir essa dificuldade, Antônio Vicente Magalhães Neto, junto de outros membros da sociedade cuiabana, fundou o instituto.

De acordo com o vice-presidente, Thiago Lima, o local se tornou referência e atende pessoas até mesmo de outros estados, como Rondônia. Atualmente, o instituto atende aproximadamente 400 pessoas. “Aqui nós temos criança de 3 anos, mas temos criança de 70 anos também”, brinca Thiago.

Em um ambiente tranquilo e arborizado, o instituto conta com uma academia, quadra poliesportiva, sala de informática, biblioteca, refeitório e um espaço para atividades festivas.

Rodinei Crescêncio

Vice-presidente, Thiago Lima, explica que a entidade atua para ajudar na autonomia dos alunos para que tenham uma vida digna

Outros ensinamentos repassados dizem respeito a autonomia, como aprender a cozinhar, cuidar da casa, ter orientação e mobilidade para se locomover pela cidade.

“O que é orientação e mobilidade? Quando nós vemos uma pessoa com deficiência visual andando na rua, shopping, loja, enfim, é porque ela teve essa orientação pra ela andar na rua, se locomover. Ter autonomia para se direcionar”.

Thiago trabalha com a alfabetização das crianças. Ele pontua que a inclusão nas escolas e mercado de trabalho de pessoas cegas ainda precisa melhorar.

“É através dessa oportunidade que o Instituto Cegos dá essas condições para essas pessoas, para que elas tenham uma vida digna. A vida digna que eu sempre procuro dizer é aquilo que você faz por você, ter seu próprio dinheiro, sem depender de auxílio do governo. Se tem uma necessidade, tudo bem, mas quando você tem condições de estar no mercado, você tem que estar pela inclusão, você está atuante no mercado por você, não só para cumprir uma lei de cotas”.

Por exemplo, ingressam cegos nos locais meramente para cumprir uma lei de cotas, não pensando de forma empática. “Quando há esse entendimento que as empresas, os espaços, ele tem a pessoa com deficiência atuante, então a inclusão de fato ela está acontecendo na prática”.

Braile

Dentre todas as atividades desenvolvidas, Thiago explica que o braile é o carro-chefe. Além de estudar em uma escola regular, ele aponta que o instituto é como se fosse uma atividade extracurricular para os alunos.

Além disso, os jovens também têm aulas de reforços e auxílio para prestar o Enem, por exemplo. “Aqui é onde que ele vai aprender a ser alfabetizado, pra sentir a sua leitura e aí para as crianças, quando chega até os seis anos de idade, nós temos a estimulação. O que é estimulação? Para que ele seja estimulado com a questão da percepção, ou que é uma lateralidade, tem toda uma orientação”, explica.

Informática

Rodinei Crescêncio

Professor Valney Alvez explica que teclado é o comum, as pessoas aprendem as referências

Uma aula bastante procurada pela comunidade é a de informática. O professor Valney Alvez explica que, ao contrário do que as pessoas possam pensar, o teclado do computador não é em braile.

Eles aprendem a digitar a partir de uma referência, bastante semelhante a uma aula de datilografia. Inclusive, muitas empresas deixam de contratar uma pessoa cega por achar que vai ter que comprar teclados novos ou investir em um computador especial – quando na verdade, o próprio programa do computador já possui esses recursos.

“Esse teclado é um teclado normal, o que a gente faz é passar as referências. A gente utiliza ela como referência o ‘J’ e o ‘F’, como um teclado normal. Então aqui a gente passa exercícios de ‘A’, ‘S’, ‘D’, ‘F’, ‘G’, ‘Ç’, ‘L', ‘K’, ‘J’, ‘H’, até ele se familiarizar com o teclado”, exemplifica.

Em seguida, o computador possui um áudio, que vai ler todos os comandos. “A gente passa os ícones pra eles como criar na área de trabalho. Passamos exercícios, vamos ensinando Word, Excel, tudo isso eles vão conseguindo”, diz Valney.

A entidade é filantrópica, sem fins lucrativos e sobrevive com doações da comunidade e parcerias com empresas particulares e privadas. Para colaborar com o trabalho basta entrar em contato com o Instituto através do telefone (65) 3646-1400.

Rodinei Crescêncio