Cuiabá, 01/11/2026

Greve dos servidores do Detran completa 15 dias com 10 mil processos parados

A greve dos servidores do Detran-MT completa 15 dias nesta terça (26). A falta de diálogo entre a categoria e o governo já resultou na paralisação de cerca de 10 mil processos, segundo o Sindicato dos Despachantes. O setor para renovação e confecção da Carteira Nacional de Habilitação também é prejudicado pelo movimento grevista.

Gilberto Leite

Setor de vistorias do Detran-MT está com serviços paralisados por tempo indeterminado

“Hoje cerca de 60% ou 70% dos processos que tramitam dentro do Detran são feitos pelos despachantes. A média mensal de processos é de 25 mil, isso inclui transferência, emplacamento e vistoria. Essa greve já vai para a terceira semana. Só em vistoria, os despachantes fazem em torno de 120 por dia, mas está tudo parado”, explica o presidente do sindicato, Adilson Ribeiro.

Ele ainda afirma que a classe não está cumprindo que deveria. “E os 30% que diz que estão trabalhando? Somente a parte administrativa, departamento financeiro, e RH, trabalham e não é atendimento ao público. A vistoria tem de 12 a 13 funcionários. Na lógica, teriam que trabalhar pelo menos 4 pessoas, mas não tem ninguém”, reforça.

Apesar de apoiar a greve, a presidente do Sindicato das Autoescolas, Niceia Arruda, critica a forma como ela vem sendo levada, em decorrência do maior prejudicado ser o público.

“O prejuízo é grande até porque eles não estão cumprindo com os 30%. O pessoal que está atendendo aqui no Detran é a parte da diretoria e o pessoal que é comissionado. As outras estão todas paradas, no caso, confecção de CNH”, pondera. Nesta linha, Niceia destaca que os testes não estão parados porque é uma empresa terceirizada que aplica as provas.

A assessoria do Detran, por sua vez, ainda não tem um balanço referente aos prejuízos causados pela greve. O Executivo, no entanto, pontua que a greve dos servidores do Detran é ilegal, como prevê decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Neste contexto, reforça que toda a margem de aumento foi consumida na negociação para o pagamento da Revisão Geral Anual (RGA), construída em conjunto com os sindicatos e a Assembleia. Diz também que apresentou à Assembleia a PEC do Teto dos Gastos Públicos, outro fato que impossibilita o aumento. O setor é representado por 986 servidores distribuídos em 62 Ciretrans, além da sede na Capital.

Para piorar a situação, o governo  não compareceu ao Núcleo de Mediação do Tribunal de Justiça para segunda  audiência de conciliação com os servidores. O encontro estava marcado para às 15h da última quinta (21). O Sinetran, sindicato que representa a categoria, classificou como desrepeitoso o não comparecimento do Executivo.

“Todo ano tem greve, e o governo está empurrando com a barriga. Quantos pais de família não estão precisando renovar a carteira, alunos que estão finalizando, precisando confeccionar a CNH? Nós temos clientes caminhoneiros que precisam renovar, mas estão impedidos. O interior todo está parado. A população é quem sofre", conclui Niceia.