Cuiabá, 27/10/2026

IBGE: 12% dos jovens de 13 a 17 anos revelam já ter sido agredidos em MT

Pesquisa faz ainda um reconhecimento sobre os agressores apontados pelos adolescentes

A questão da violência como realidade entre as crianças e adolescentes no Brasil é uma pauta que vem sendo discutida de maneira mais ampla nos últimos anos. Em Mato Grosso, as taxas acendem um alerta: de acordo com os dados abordados na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 12,2% dos jovens entre 13 e 17 anos relataram ter sido agredidos fisicamente alguma vez nos 12 meses anteriores à pesquisa, por pessoas que não fazem parte do seu ciclo de responsáveis (pais e mães), como desconhecidos, policiais, funcionários de escola, entre outras categorias.

Freepik

Segundo o levantamento, do total, mais meninos apresentaram queixas com relação à situação. Cerca de 14,4% de homens relataram agressões, enquanto 9,9% de mulheres deram a mesma resposta.

Os resultados refletem uma realidade nacional, tendo em vista que, a nível de Brasil, a predominância das queixas de agressões deste tipo é também de meninos. A PeNSE explica que, apesar de não se tratar de um levantamento exclusivo sobre agressão e vitimização, "ela busca captar situações de violência que envolveram riscos de agravos aos escolares, cujas perspectivas analisadas os colocam na posição de vítima, assim como na condição de agressor".

Maioria dos adolescentes relata ter sido agredida por amigos

Aprofundando a pesquisa para entender melhor o fenômeno, o IBGE coletou dados sobre a identidade dos responsáveis pelas agressões relatadas pelos adolescentes. O percentual mais alto foi o de jovens que apontaram terem sofrido agressões por amigos, cerca de 37,8%. Já 18,3% dos adolescentes relataram ter sido vítimas de violência física por parte de outros familiares.

As situações de violência sofridas na infância e na adolescência produzem danos e traumas que podem repercutir por toda a vida. - IBGE

Com relação a agressões por desconhecidos, 16,5% dos adolescentes fizeram a queixa. Outro número que acende um alerta é o de menores que relataram terem sofrido agressões por parte de namorados, ex-namorados, "ficantes" e "crushes": 16,4%.

Além destes, a tabela aborda que 15,3% dos adolescentes entre 13 e 17 anos foram agredidos por funcionários das escolas em que estudavam. Já sobre agressão por parte de policiais, 9,1% dos jovens apontaram já ter sofrido. Por fim, a tabela traz ainda que 12,8% dos menores pontuaram a violência física por parte de outros conhecidos.

Gerado por IA - NotebookLM

Taxas de adolescentes agredidos por responsáveis também preocupam

O estudo também levantou dados sobre os relatos de violência física causada por pais, mães ou responsáveis. A pesquisa divulgou que 20,3% dos estudantes responderam ter sido agredidos pelos pais no intervalo de 12 meses anteriores à pesquisa. A diferença entre meninos e meninas não é tanta. Do total, 20,4% de homens pontuaram terem sido agredidos, enquanto 20,1% de mulheres disseram o mesmo.

Logo no início da contextualização da pesquisa, o IBGE aborda como a construção familiar produz o primeiro e mais duradouro contexto de socialização de uma pessoa. De acordo com o texto, ela desempenha o "papel central na promoção do desenvolvimento integral e na proteção de crianças e adolescentes".

"No contexto brasileiro, essa compreensão é reforçada pelo Estatuto da Criança e Adolescente - ECA (Lei n. 8.069, de 13.07.1990), que atribui à família a responsabilidade primária pela garantia dos direitos, da convivência familiar e comunitária e da proteção contra toda forma de violação. Especialistas argumentam que a família não é apenas um conjunto de laços biológicos, mas uma instituição construída historicamente, marcada por obrigações morais e afetivas que estruturam a vida cotidiana", diz o texto.

Um rompimento marcado pela violência no que deveria ser como um alicerce para crianças e adolescentes pode causar lesões que permanecem uma vida inteira.

Impactos negativos duradouros

A infância e adolescência são momentos de desenvolvimento que podem mudar de maneira abrupta como um adulto vê e caminha pela vida. A pesquisa do IBGE destaca, especificamente, como "comportamentos de risco" ainda muito novos podem afetar "comportamentos, hábitos e condições de saúde na fase adulta".

"[...] as situações de violência sofridas na infância e na adolescência produzem danos e traumas que podem repercutir por toda a vida", aponta a pesquisa.

Seja por desconhecidos ou pelas pessoas que deveriam guardar e cuidar dessas crianças e adolescentes, a marca de uma violência física tende a não só causar danos significativos ao corpo, como também à mente, e modificar de maneira permanente a vivência de alguém.