Cuiabá, 10/10/2026

Incêndios em placas solares causam alerta e especialistas listam cuidados

Corpo de Bombeiros e Inmetro recomendam dispositivos de segurança para evitar as falhas no sistema

Ilustração

As instalações de placas solares, assim como qualquer instalação elétrica, estão sujeitas a falhas que podem causar incêndios. Após registros de sistemas fotovoltaicos que pegaram fogo em casas e estabelecimentos, autoridades da área orientam medidas mais rígidas de segurança para os kits de energia solar, como dispositivos de segurança para inversor e contratação de profissional habilitado para instalação e manutenção das placas, seguindo as normas técnicas.

“No caso do sistema string, que é mais antigo, é mais suscetível a incêndios”

Hugo Brito

O engenheiro eletrônico do setor fotovoltaico, Hugo Brito, explica que essas ocorrências estão acontecendo em todo o país e que isso tem preocupado o setor. Conforme esclarece, os incêndios podem ser causados ou intensificados pelos sistemas fotovoltaicos.

“Qualquer aparelho pode pegar fogo, até o fogão que temos em casa, um disjuntor. Então, não é que todo o sistema fotovoltaico vai pegar fogo ou que ele seja ruim, mas que, em alguns casos, há mais riscos. No caso do sistema string, que é mais antigo, é mais suscetível a incêndios".

“As placas convertem faixas de luz em corrente elétrica contínua. Mas, na nossa casa nós não conseguimos utilizar essa energia porque a da nossa tomada é uma corrente alternada, então é preciso um inversor para converter essas correntes”, inicia.

Arquivo Pessoal

Engenheiro eletrônico do setor fotovoltaico, Hugo Brito, explica que essas ocorrências estão acontecendo em todo o país e que isso tem preocupado o setor

“E esse fogo não se apaga naturalmente, mesmo que não tenha energia da concessionária, as placas ainda estão gerando energia. Se romper o cabo e não tiver segurança, ele pega fogo”

Hugo Brito

No entanto, segundo o engenheiro, muitas vezes, podem acontecer problemas nesse sistema das correntes, como uma interrupção na continuidade de um condutor, que pode levar a arcos elétricos, descargas de alta potência de eletricidade entre dois ou mais condutores.

O calor causado por esta descarga pode causar a deterioração do isolamento do fio e, assim, provocar uma faísca que culminar num incêndio.

“A corrente elétrica contínua é em um sentido só, ela não oscila, o que pode formar os arcos elétricos. A corrente elétrica contínua chega a mais de 1.000 °C, tem capacidade de fundir ponta de bala de fuzil. Não é que os sistemas antigos não sejam seguros. Mesmo que você instale de maneira correta e tenha manutenção, existem sinistros que podem acontecer, como um rato que pode roer esse cabo, uma instalação do conector errada. E esse fogo não se apaga naturalmente, mesmo que não tenha energia da concessionária, as placas ainda estão gerando energia. Se romper o cabo e não tiver segurança, ele pega fogo”, esclarece.

Em setembro do ano passado, um Pet Shop em Cuiabá pegou fogo após uma sobrecarga nas placas solares, que ficavam ao lado de um posto de combustível - veja vídeo.

Em Alta Floresta (a 800 km de Cuiabá), o problema em uma placa solar no telhado causou o princípio de um incêndio. O inversor da placa precisou ser desligado para que os bombeiros pudessem apagar as chamas.

Após registros de casos, o Corpo de Bombeiros elaborou a norma técnica 49/2022 para ajudar a diminuir o risco de incêndios em usinas solares.

Tanto o Corpo de Bombeiros quanto o Inmetro estão recomendando dispositivos de segurança para evitar as falhas no sistema, além de outras medidas de segurança, conforme explica o major André Dechamps, chefe de estudo de legislação e pareceres do Corpo de Bombeiros

MT Esporte

Incêndio registrado em placa solar instalada em Alta Floresta. Bombeiros e Immetro estão recomendando  dispositivos de segurança para evitar falhas

“A nota técnica estabelece medidas para todo tipo de comércio, indústria ou estabelecimento, para que seja contratado um profissional habilitado para fazer o arranjo fotovoltaico e que siga as normas técnicas. Mas, para as residências é uma nota recomendatória. No documento são expostos medidas de segurança e prevenção a incêndio de pânico”, explica o major.

Segundo o bombeiro, as medidas estabelecem o tamanho do afastamento entre o arranjo, sistema de aterramento, tipos de telhados, estruturas, corredor de manutenção, além de um sistema de proteção de descarga atmosférica, entre outros.

“A placa solar é um componente elétrico, se ela sofre uma avaria, pode gerar o princípio de incêndio. O que recomendamos que é que seja feita a análise da estrutura da residência, emita um laudo dizendo que aquela estrutura suportará esse peso, que o consumidor encontre um engenheiro elétrico habilitado e exija o Termo de Responsabilidade Técnica”, explica.

O engenheiro Hugo Brito explica que um micro inversor foi desenvolvido em escala industrial e que o dispositivo de segurança é como se fosse o “cinto e o airbag” do carro, e é o que vai proteger o consumidor.

“Então, quando desligo meu padrão, eu tenho um micro controlador que controla os módulos, sem pegar fogo. Existem dois dispositivos de segurança: desligamento rápido do módulo no padrão e desligamento do sistema ao perceber um arco elétrico. Sem dispositivo de segurança você está sem o cinto de segurança em um carro. E o dispositivo é o airbag, gaiola e cinto. E um cinto de quatro pontas, o mais seguro”, explica, fazendo uma analogia.