Investigados acusam delegado da PF de cobrar propina veja documentos
Delegado Hércules Ferreira Sodré diz que tem consciência tranquila e não comenta investigação
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Trecho da denúncia dos agricultores presos que aponta a investigação do delegado Hércules Sodré
Os agricultores Osmar Versari, Lírio Lopes e Gentil Piana, que foram presos na deflagração da Operação Terra Prometida, em 27 de novembro de 2014, sob acusação de concentrar terras da União destinadas à reforma agrária, protocolaram denúncias na Corregedoria da Polícia Federal pedindo o afastamento do delegado Hércules Ferreira Sodré, do comando das investigações referentes ao inquérito 376\2010.
Os depoimentos com firma reconhecida foram protocolados em 23 de fevereiro deste ano e acusam o policial federal de receber propina de R$ 600 mil para “proteger” investigado, de possuir dois lotes em nome de “laranjas” no Assentamento Itanhangá/Tapurah e inserir informações falsas no inquérito para prejudicar agricultores contrários ao ex-superintendente do Incra Valdir Barranco (PT).
O agricultor Gentil Piana acusa o delegado Hércules de receber propina no valor de R$ 600 mil para livrar Ari Bortoline, que também foi indiciado nas investigações da Operação. Entretanto, acabou não sendo preso porque colaborou com a instrução do inquérito e se propôs a devolver a terras ao Incra, sem necessidade de intervenção da Justiça. A informação sobre a suposta ilegalidade teria partido do prefeito de Ipiranga do Norte, Pedro Ferronato (PR).
Já Osmar Versari, que perdeu 13 lotes no Assentamento Itanhangá/Tapurah, afirma nas declarações registradas em cartório que o delegado Hércules recebeu dois lotes, em nome de laranjas, disponibilizados por Barranco. Além disso, atribui a ação do ex-superintendente as articulações para disputar o cargo de deputado estadual em 2014.
Lírio Lopes, por sua vez, diz que foi acusado pelo delegado Hércules de ser contrabandista de agrotóxicos, proprietário de diversos imóveis em Lucas do Rio Verde e falsificador de documentos, além de aterrorizar os agricultores da região com ameaças. O agricultor ainda reclama que recebeu a acusação de manter várias armas em casa, mas na verdade tinha apenas um revólver calibre 38 com a documentação em dia.
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Gilberto Leite/Rdnews
Delegado da PF Hércules Sodré, alvo de denúncia por parte de agricultores
Os três depoimentos procuraram ligar o delegado Hércules a Valdir Barranco. Além disso, atribuem as supostas ilegalidades a promessas de cessão de lotes e arrecadação ilegal de recursos para viabilizar a candidatura do petista, que ainda tenta “descongelar” os votos recebidos através de recursos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), à Assembleia.
A defesa de Barranco, patrocinada pelo advogado Elvis Antônio Klauk Junior, argumenta que o cliente repudia as acusações e considera como “ridícula” a tentativa de ligá-lo ao delegado. “O Valdir Barranco até já havia deixado a Superintendência Regional do Incra quando a operação foi deflagrada”.
Procurado pelo Rdnews, o delegado Hércules, que chegou a receber ameaça de morte por conta da atuação na Operação Terra Prometida, se limitou a dizer que desconhece o teor das denúncias e que não comenta investigações da Corregedoria da Polícia Federal. “É bom que me investiguem. A verdade será comprovada. Tenho a consciência tranquila”.
Operação Terra Prometida
A Operação Terra Prometida foi deflagrada pela Polícia Federal , em 27 de novembro de 2014, para desarticular suposto esquema de fraude na concessão de lotes de assentamentos da reforma agrária em Mato Grosso. Dois irmãos do ex-ministro da Agricultura, Neri Geller (PMDB), chegaram a ser presos. O ex-prefeito de Lucas do Rio Verde Marino Franz (PSDB) também chegou a ser preso.
As investigações ainda estão em andamento. Cerca de 80 fazendeiros podem estar envolvidos no esquema e aproximadamente mil lotes da União estavam em situação ilegal devido a concentração e exploração ilegal. O prejuízo aos cofres públicos pode alcançar R$ 1 bilhão.
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