Mercado Municipal é demolido; nova sede terá 3 andares e área gourmet
Local terá 500 vagas de estacionamento e deve abrigar também escritórios e clínicas médicas
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A obra de reconstrução do Mercado Municipal de Cuiabá começa nesta quinta-feira (17) com a primeira etapa, que será a demolição do atual espaço na Avenida Generoso Ponce, no Centro da Capital. O Mercado fechou as portas no mês passado, após 63 anos de história. Os comerciantes foram retirados do local para o início dos trabalhos, que foi anunciado hoje pelo prefeito Emanuel Pinheiro e pela empresa responsável pela concessão nos próximos 30 anos.
Segundo Guilherme Dias, diretor executivo da CS Infra, a demolição é necessária pois o novo empreendimento será com uma proposta diferente de como funcionava até então. A obra total está orçada em R$ 125 milhões, entre Mercado Municipal e entorno, já contando um estacionamento rotativo com 500 vagas para carros e motos, que são reversíveis e poderão atender também a eventos e serviços. Além de um sistema automatizado com sensores para identificar a disponibilidade de vagas, compra e recarga de créditos. A estimativa da prefeitura é que o espaço receba até 100 mil pessoas por mês.
Thaís Fávaro/Rdnews
“O contrato do consórcio é de construção, operação e manutenção do Mercado por 30 anos. Além disso, contempla a região do entorno, que é uma área de amortecimento do Centro Histórico. Não é uma área tombada, mas é zona amortecimento, então tem que ter todo um cuidado especial, inclusive ajeitando as calçadas, para dar mobilidade à população. Vamos fazer também um estacionamento rotativo nas ruas e aqui na área do mercado”, explica Guilherme.
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“Por décadas foi o único ponto de gêneros alimentícios. Cuiabá não tinha supermercados, aqui reunia os bons gêneros alimentícios, e era um espaço democrático, encontrávamos trabalhadores dos mais humildes, até governador, prefeito, deputados, todos vinham aqui. Com o crescimento desordenado o Mercado Municipal foi sucumbido e abandonado. Poucos permissionários ficaram e mais de 5 mil metros quadrados de história ficaram renegados a ponto de drogas, prostituição violência e pouco comércio", frisou Emanuel ao lançar a obra e "simbólicamente" dar início ao processo de demolição.
A previsão de entrega da obra é dezembro de 2024. Conforme o projeto, serão três pisos com lojas e área gourmet para alimentação e mais quatro a cinco pisos com estacionamento. No local ficarão escritórios de advocacia e clínicas médicas, além de 180 espaços comerciais.
“Pelo estudo que estamos fazendo, vamos manter o empreendimento muito mais voltado paro setor de alimento, não perdendo a característica de mercado, e iremos transformar também em uma área gourmet que a população e o turista comece a visitar. Queremos que seja um mercado bom para comprar o que chamamos de ‘secos e molhados’ e bom para comer, interagir, aproveitar o dia no Centro da cidade. Cuiabá começou no Centro e queremos devolver vida para ele”, explica Guilherme.
Luiz Alves/Assessoria
No local, terá também um conceito sustentável, com um paredão verde na fachada e reuso de água. “O conceito é manter o mercado com a paisagem virgem para devolver a identidade cuiabana. A irrigação será com a própria água do mercado, água de reuso, então toda a parte de esgoto produzido aqui será tratado dentro do próprio Mercado e fará parte da irrigação do paredão verde”, esclarece Guilherme.
O estudo do padrão das lojas ainda está sendo feito. O espaço vai funcionar como uma shopping, na parte administrativa. A locação do espaço será feito por contrato e terá, inclusive, uma taxa de condomínio a ser cobrada. Os valores de cobrança tanto da locação quanto do condomínio ainda estão sendo analisados.
“Não poderá ser baixo demais ou alto demais, para o lojista poder ter sua loja, manter e conseguir lucrar e também para a população conseguir frequentar”, pondera o diretor executivo.
O estudo também está sendo discutido com o Governo do Estado, pois tem integração com o projeto do BRT (Bus Rapid Transit). “Estamos focados também em todo o entorno de imobiliário urbano. O objetivo é que o cidadão vá ao centro da cidade e tenha o que fazer, não vá apenas, tenha dificuldade pra estacionar e comprar qualquer coisa. Isso afugenta a população do Centro. Queremos que o Mercado volte a venda de produtos como antigamente. Quando foi inaugurado, o cuiabano ia para comprar o bacalhau, farinha, o item que queria. Vai ter isso aqui e também a opção de sentar para comer, interagir, um happy hour”, conclui Guilherme.
O Mercado
Annie Souza/RDNews
O Mercado Municipal foi construído na década de 1960 e foi o primeiro grande mercado da época, surgindo antes mesmo que o tradicional Mercado do Porto.
Na época, foram construídos os boxes e adequada a área, que atendeu tanto aos feirantes como algumas empresas que hoje são grandes, como a loja Casa das Tintas, que começou naquela época. Ele estava abandonado há pelo menos uma década.