Na contramão de Lula, MT planeja dobrar número de escolas militares
A meta da Seduc é implantar 30 novas escolas militares em três anos, revela secretário
Rodinei Crescêncio
O número de escolas militares em Mato Grosso deve dobrar nos próximos três anos, segundo a meta da Secretaria Estadual de Educação. Atualmente, o estado tem 30 escolas militares. O objetivo é que Mato Grosso tenha 60 em funcionamento até o final desta gestão, em 2026, explica o secretário de Educação Alan Porto, em entrevista especial, concedida na sede do #rdnews.
Rodinei Crescêncio/RDNews
Secretário de Educação Alan Porto fala sobre criação de mais escolas militares em MT
Apesar das mudanças que podem ser geradas com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é contra o modelo, Alan Porto afirma que as tratativas do estado seguirão e que os resultados das escolas cívicos-militar têm sido positivos. “O conceito de militarização é transformar uma pessoa em militar. A escola não faz isso. Ela tem uma gestão que é militar, como na Escola Tiradentes pela Polícia Militar ou na Escola Dom Pedro pelo Corpo de Bombeiros. São leis estaduais, não muda nada”, argumenta.
Nos últimos quatro anos, com a gestão de Jair Bolsonaro (PL), o governo federal promoveu parcerias com os estados para a criação das escolas cívico-militares. No entanto, no dia 1º de janeiro deste ano, logo após a posse, Lula extinguiu uma diretoria do Ministério da Educação (MEC) criada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para fomentar as escolas cívico-militares.
A pasta ainda não confirmou se os recursos para as unidades já criadas se manterão e como funcionará daqui para frente, mas informou que os programas e ações estão sendo avaliados e devem passar por um processo de reestruturação. Com isso, a política de criação e fomento a escolas militares no país deve sofrer impacto nos próximos meses.
Mesmo em meio a esse cenário, a Seduc afirma que já está em tratativa para a criação de 10 novas escolas militares em 2023, que devem começar a funcionar em 2024. O objetivo é implantar dez novos colégios por ano até chegar a 60 unidades.
Presidente do Sintep de MT Valdeir Pereira é contra o modelo implementado e destaca que política educacional é diferente da de segurança pública
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), Valdeir Pereira, é contra o modelo e defende que o trabalho educacional é dos educadores. “Uma coisa é a política educacional e outra é a segurança pública. Se não for assim, estamos na lógica daquela pessoa que trabalha no dia-a-dia do açougue, tem conhecimento do corte de carne, e estaria apto a fazer cirurgias. Polícia é segurança e são concursados com formação de nível médio para ingresso. Professor ingressa na carreira com formação de nível superior. Portanto, não temos dúvidas que os nossos professores têm o devido compromisso com a política educacional”, afirma.
Segundo Alan Porto, as críticas sobre as escolas militares são feitas por uma minoria. “Isso constatamos nas reuniões. Quando implantamos uma escola militar, a gente ouve a comunidade, apresenta como vai funcionar a abre votação. Quem decide é a comunidade, os pais, estudantes, eles votam. Se eles decidem é porque querem essa unidade. Se falam que não, não implantamos”, afirma.
“Os pais querem, porque tem bons resultados, porque gostam do modelo pedagógico”
Allan PortoEle acrescenta que recebe solicitações dos 141 municípios para implantação de novas unidades, por causa dos resultados positivos. “Os pais querem, porque tem bons resultados, porque gostam do modelo pedagógico, o currículo é o mesmo, o recurso que a escola recebe é o mesmo. O que muda é a gestão daquela unidade e isso muda atenção dos pais. Os pais gostam. Tenho muitas solicitações na secretaria desejando que naquele município implante escola militar. Então nós vamos continuar sim nessa direção”, afirma.
De acordo com Allan, ainda será discutida a implantação das dez escolas militares com os principais envolvidos. “Vamos conversar com os municípios, verificar o efetivo que nós temos tanto de Polícia Militar, quanto do Corpo de Bombeiros e tomarmos a decisão em conjunto com o município e a comunidade escolar”.
As unidades instaladas em 2023 passarão a funcionar em 2024 e assim sucessivamente. Portanto, as 30 novas escolas devem estar em funcionamento em 2026.