Cuiabá, 28/10/2026

Operário de VG está prestes a fechar com goleiro Bruno por 1 ano: merece 2ª chance

Marcelo Rodrigues/EPTV

Último time do goleiro Bruno Fernandes foi o Poços de Caldas em 201; ele pode vir para MT

Após várias especulações e desinformações, o Operário Várzea-grandese é o time que negocia contratação do goleiro Bruno Fernandes, de 35 anos, condenado a mais de 20 anos de prisão pelo sequestro, homicídio e ocultação de cadáver da ex-namorada Elizia Samudio, em 2010. Segundo o supervisor de Futebol do clube, André Xela, falta pouco para a contratação. Aponta que 90% das negociações estão adiantadas e afirma que a diretoria do time não pensa no passado do atleta.

A notícia sobre a possível contratação de Bruno por um time mato-grossense remexeu no Estado, após a publicação de uma reportagem do portal R7, apontando interesse de clubes daqui. O Cuiabá Esporte Clube foi um dos primeiros apontados, mas desmentiu a informação e apontou que ele não corresponde aos interesses do Dourado. Além de Mato Grosso, a matéria aponta interesse de times de Minas Gerais e da Bahia.

Mas foi o Operário várzea-grandense que acabou confirmando as negociações, que estão bastante avançadas, garante André. Bruno não está sendo empresariado e negocia diretamente com o clube o seu futuro local de trabalho. O supervisor conta que ele está na expectativa.

O que falta para ambos os lados é aguardar os trâmites da Justiça de Minas Gerais, que precisa aprovar a vinda dele para Mato Grosso. Em julho do ano passado, Bruno ganhou a progressão de pena de sua condenação. Desde então, está em regime aberto – onde é solto durante o dia, e retorna a cadeia à noite.

Bruno não precisa de autorização judicial para assinar contratos, mas precisa do aval da Justiça para sair do estado mineiro e viajar pelo Brasil a torneios. André conta que a Justiça de Mato Grosso também precisa dar sua aprovação. Documentos, cronogramas dos jogos e as demais papeladas já estão sendo enviados e ambos aguardam a decisão do Judiciário dos dois estados.

André não quis divulgar o salário do Bruno, caso contratado. O argumento é que a remuneração de nenhum jogador é divulgada e que apontar o do possível futuro goleiro “por causa dessa questão”, a condenação pelos crimes, “é meio chato”.

Mas o supervisor garante que, caso contratado, Bruno vai receber o mesmo que todo os demais jogadores. Assim, a remuneração está dentro da base salarial que o Clube pode pagar, uma média de R$ 4 mil a 6 mil. “A gente não está pagando a mais nem a menos dentro da contratação dele”.

O tempo de contrato é de um ano. Se definido, Bruno já jogaria em quatro campeonatos previstos para 2020. São eles o Estadual, a Copa Verde, a Copa do Brasil e os jogos da Série D do Brasileirão. O primeiro jogo do time é em 21 de janeiro contra o Poconé, em Várzea Grande.

Quanto a repercussão, o supervisor admitiu que, em um primeiro momento, a direção do Operário ficou receosa de contratar Bruno. A condenação e a imagem em torno do goleiro poderiam repercutir negativamente no Clube. Mas, após discussões, a diretoria do time resolveu não pensar nele pelo lado pessoal, mas pelo profissional e deixar ele pagar por seus crimes só com a Justiça.

"Se ele se adequar ao grupo, ficar em forma e for um bom goleiro, nos interessa”, disse. E acrescenta: “a população do Brasil tende a ser injusta. Todo mundo bate qualquer palma quem contrata qualquer ex-presidiário, por que está ressocializando o cara, e tudo mais. Devido ao fato que aconteceu e de toda mídia vir em cima, acaba tendo um pouco dessa mídia negativa”.

Mas nem toda a repercussão tem sido negativa, segundo André. Alguns concordam com a contratação de Bruno para o time e defendem que ele precisa de uma segunda chance. “Se todo mundo merece uma segunda chance, por que ele não?”, questiona.