Cuiabá, 20/09/2026

Organizador de caravana bolsonarista diz que intervenção pode ser única saída

Convicto de que deve ocorrer uma intervenção militar, Carlos não vê a defesa como uma incoerência em um regime democrático e acredita que 90% da população apoia

Um dos organizadores da caravana de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Carlos Longo, que é empresário em Sinop, acredita que uma intervenção militar, nos moldes do golpe de 1964, pode ser “a única solução” para o presidente. Ele e outro 200 de Mato Grosso foram a Brasília para participar de um ato a favor do presidente. (Ouça o aúdio no final da matéria)

Reprodução

 

De acordo com o bolsonarita, entre as reivindicações do grupo estão “a troca dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), não fechar o Supremo, mas a substituição deles. Tem que rodar todo mundo. A questão do voto auditável, o povo não vai abrir mão, tem que ressuscitar ele”. O direitista se refere ao voto impresso como auditável, mas não cita que as urnas eletrônicas já são auditáveis.

Para o organizador da caravana, o “estopim” que deve acabar com a estabilidade democrática no Brasil deve ser a decisão sobre a tese do marco temporal que está sendo julgada pelo STF. Trata-se da demarcação de terras indígenas que o STF avalia se deve ser considerado o marco de ocupação até 1988, ano da promulgação da Constituição.

“É o que vai pegar fogo é a questão do marco temporal. Se votarem contra, aí quebrou o país e o Bolsonaro vai fazer aquilo que o povo quer que é a intervenção militar. MT perdeu quase 5 milhões de hectares de lavoura, daí fica inviável para o agronegócio que é quem está sustentando o país. Aí a única solução para o presidente Bolsona é a intervenção militar, não tem outro jeito”, diz em tom de ameaça.

Convicto de que deve ocorrer uma intervenção militar, Carlos não vê a defesa como uma incoerência em um regime democrático e acredita que 90% da população apoia. As críticas seriam apenas “da imprensa esquerdista” e de senadores e deputado que estariam “mamando no sistema”.

Questionado ainda sobre lema usado “Deus, Pátria e Família”, lema do movimento fascista que tomou corpo no país com Plínio Salgado na década de 1930 e esteve como pano de fundo do golpe de 1964, Carlos reafirma a inspiração, mas diz que há distorções sobre o termo fascismo.

“Não é contraditório (democracia com intervenção militar), o fascismo é uma coisa daquilo que o presidente fala que acusam daquilo que eles fazem, as pessoas distorcem as coisas o povo não é mais bobo. O fascismo foi na época da 2ª Guerra, o que ele fez? Desarmou o povo, colocou todo mundo na pobreza para defender o governo. Bolsonaro não é fascista, quer que as pessoas se armem e trabalhem”.

Ainda sobre o Supremo, ele apenas classifica os ministros como “todos petistas e da Dilma” e afirma que o presidente foi eleito e os ministros não.

Carlos chegou a disputar uma vaga na Assembleia na eleição de 2018, pelo PSL, quando obteve 3,1 mil votos e almeja tentar para deputado federal no próximo ano.

Ele é apontado ainda como um dos que aparece, aos gritos de “Brasília vai tremer” e “o Supremo vai pedir para sair”, junto de um grupo de produtores rurais de Sinop que foram acompanhar o presidente da Aprosoja Brasil Antônio Galvan até a sede da Polícia Federal. Galvan é investigado como suporto patrocinador de atos antidemocráticos. 

Ouça trecho da entrevista