Pai que levava filho para cirurgia relata tensão ao ficar preso em bloqueio
Éder Rodrigues seguia com o filho para procedimento em Cuiabá e foi impedido por manifestantes
Após ser barrado por manifestantes na BR-163, a caminho de uma cirurgia do filho, Éder Rodrigues conta que o momento foi de desespero, pois pensou que o filho ficaria cego. “Expliquei que meu filho poderia perder a visão caso não fizesse a cirurgia, e eles [manifestantes] disseram ‘que perca, mas aqui não vai passar’. Disseram que não tinham nada a ver com o problema do meu filho e que, se eu quisesse, deveria ir a pé, mas que de carro ou de ônibus não passaria”, relata.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento que o pai tentava negociar com um grupo de manifestantes que bloqueavam a BR-163 em Sorriso (a 420 km de Cuiabá). O protesto antidemocrático era mobilizado por bolsonaristas que não aceitaram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2º turno da eleição presidencial.
Arquivo pessoal
Éder, a esposa e o filho, de 9 anos, se deslocavam para a Cuiabá, na madrugada de segunda-feira (22). O garoto estava com a mãe em um micro-ônibus da Secretaria de Saúde de Sorriso e o pai estava de carro, na frente. O menino corria o risco de perder a visão, após ter o olho perfurado em um acidente na escola, e seguia para uma cirurgia.
“Fui de carro, na frente do ônibus, porque já estava com medo dos bloqueios impedirem a passagem do meu filho e quis me prevenir. Levaria ele de carro se fosse preciso. Mas não nos deixaram de jeito nenhum, não teve conversa”, relata Éder.
“Expliquei que meu filho poderia perder a visão caso não fizesse a cirurgia, e eles [manifestantes] disseram ‘que perca, mas aqui não vai passar’”
Ele conta que já estavam parados na estrada por duas horas e meia quando desceu e tentou conversar com os manifestantes. Mesmo mostrando laudo médico, Éder disse que os manifestantes foram grosseiros e se recusaram a deixar a família passar.
No micro-ônibus, 24 pacientes iam para Cuiabá para passar por atendimento médico ou procedimento cirúrgico. De acordo com Éder, o ônibus e o carro precisaram pegar um atalho fora da rodovia. Passaram por dentro de fazendas até conseguirem chegar em um trecho liberado.
Com a situação, o garoto perdeu a cirurgia, que estava marcada para essa terça-feira (22). No entanto, o procedimento foi remarcado para esta quarta (23). Nesta tarde, o menino passou pelo procedimento e a família aguarda a recuperação para que possa voltar para Sorriso.