Cuiabá, 02/11/2026

Paixão pelo futebol resgata camisa amarela e dá trégua na polarização

Seleção Brasileira estreou com vitória de 2 a 0 sobre a Sérvia e enfrenta a Suíça nesta segunda (28)

Douglas Santos

Os brasileiros já sabiam que 2022 seria de fortes emoções. Marcado pela expectativa das eleições presidenciais e pela Copa do Mundo no Qatar, o ano já prometia um clima de competição diferente. No pleito eleitoral, o que se acentuou foi a polarização política, dividindo o país no meio, refletindo até mesmo no uso do uniforme da Seleção Brasileira, que acabou sendo apropriada por um grupo político e transformada em símbolo de segregação. Depois de meses de tensão, a esperança, agora, é que o Mundial remende a rachadura partidária e o futebol mostre a sua capacidade de unir o país. 

Já na primeira disputa da seleção canarinho, na última quinta (24), foi sinalizada uma trégua. Em Cuiabá, bares, restaurantes e praças se transformam em pontos de concentração para a transmissão da estreia do Brasil na partida contra a Sérvia. Segundo a organização da Fan Fest, evento de transmissão coletiva dos jogos, cerca de 7 mil pessoas foram até o Parque de Exposições prestigiar o jogo. Em todos os locais, as cores verde e amarelo tomavam conta do público.

E se antes do primeiro gol do atacante Richarlison, os torcedores estavam tímidos, não continuaram por muito tempo. Porque o que se viu, depois que o Camisa 9 fechou o placar em 2 a 0 foi uma festa com direito a gritos, comemorações e abraços esperançosos, despertados pela primeira vitória do Brasil no Mundial. 

Reprodução/Instagram

Para o ex-jogador e treinador de futebol, Giovanni César Gabriel, 38, a Copa do Mundo sempre tem um encanto diferente, mas desta vez simboliza algo maior. “Creio eu que, se não fosse Copa do Mundo, neste momento o país estava em uma situação crítica, de certo ódio. Então, acho que veio no momento certo para nós brasileiros”, afirma o treinador. 

O futebol une

Giovanni  atuou como auxiliar técnico do time do Cuiabá e há 3 anos desenvolve um trabalho de treinamento de futebol com crianças e adolescentes na Capital. Além disso, é coordenador esportivo da Taça em Mato Grosso e um dos parceiros da Central Única das Favelas (Cufa-MT).  

Segundo ele, durante a rotina do seu trabalho percebe que o futebol, para muitos dos meninos que participam dos seus treinamentos, representa mais que o esporte. Toda a paixão brasileira envolvida na prática esportiva transforma uma competição como a Copa do Mundo em um sonho de vida e uma representação de um país forte e unido.

“Nunca é só futebol, existem outras coisas atrás do esporte, como a inclusão e o respeito. É bonito ver o brilho das crianças,  da sociedade em geral, e perceber como o futebol une. Inclusive, acho que todos podem enxergar como possibilidade de futuro. Para os meninos, em especial, que sonham em serem jogadores, ao ver a Copa do Mundo com um país unido, com certeza fortalece muito mais a admiração pelo esporte”.

O treinador ainda lembra de que há alguns dias existia o receio de sair de camisa vermelha ou vestido com o uniforme da Seleção. Ele se refere ao contexto político de Lula x Jair Bolsonaro, no qual as cores vermelho, verde e amarelo sinalizam posições partidárias e verdadeiras disputas ideológicas.

Instagram/eurafacortes

Virou meme

Nas redes sociais, o resgate da camisa do Brasill virou “meme”, uma vez que mesmo as pessoas que antes se recusavam a usar o uniforme da Seleção não resistiram ao clima de Copa e tiraram da gaveta a verde e amarela para torcer a caráter. Para se justificarem, afirmam em tom de brincadeira: "É para a Copa!"

Conforme Giovanni, essa aversão tende a diminuir ainda mais. Ele destaca que “no final do primeiro jogo, quando ficou marcado que o Richarlison protagonizou a partida, veio à tona o papel dele em questões sociais e entidades que ele ajuda. E isso foi bom, porque é uma forma de exemplo”.  

Como bom amante de futebol e torcedor do Brasil, o ex-atleta tem esperança no time escalado pelo técnico Tite e não duvida que seja possível conquistar o tão sonhado título de hexacampeão do Mundial.  “Eu creio que nossa seleção tem muita chance de levar o Hexa. São meninos novos, com muita vontade, com histórias inspiradoras e um brilho no olhar de quem quer muito vencer”, conclui Giovanni.  

O próximo jogo do Brasil será nesta segunda (28), às 12h (horário de Cuiabá) contra a Suíça. Bares a restaurantes da Capital estão com programações especiais para o momento da partida, assim como a Fan Fest, que terá transmissão ao vivo e atrações musicais, com entrada gratuita.