Cuiabá, 05/10/2026

Pesquisas técnicas viabilizam produção agrícola em solos arenosos de MT

Com mais de 80 hectares, o CTecno Parecis integra uma série de iniciativas independentes da Aprosoja com foco em auxiliar o mercado da produção agrícola

O bioma do Cerrado, que ocupa quase 40% do território de Mato Grosso, é composto majoritariamente por solos de textura arenosa e baixa retenção de água, características que impõem desafios à atividade agrícola e, em alguns casos, levam produtores a desistirem da exploração dessas áreas. Diante desse cenário, pesquisas e experimentos desenvolvidos há cerca de dez anos pelo Centro Tecnológico Aprosoja MT Parecis vêm estudando métodos de correção, adubação e manejo em solos arenosos. Os estudos de longa duração, que somam entre 35 e 40 experimentos por ano, já apontam ganhos expressivos em produtividade, melhoria da fertilidade e avanços na conservação do solo, especialmente com o uso de plantas de cobertura e a diversificação de culturas.

Bruno Lopes/Aprosoja MT

A estação de pesquisa localizada em Campo Novo do Parecis (402 km de Cuiabá) trabalha com solos de textura média e arenosa.

"O que é isso? O solo é composto por partículas: ele tem a parte mineral, que é o solo propriamente dito, a parte orgânica, que é a matéria orgânica e a águ -, quando chove, o solo é abastecido de água, essa é a composição do solo. A parte mineral desse solo tem diferentes tamanhos de partículas, então as partículas mais grossas, acima de 2,5 milímetros são as areias, depois a gente tem o silte, que é intermediário e tem a argila, que são partículas bem finas. Essa disposição da porcentagem que eu vou ter de cada uma dessas partículas é que vai me dizer se o solo é de textura média ou arenosa", contextualiza a pesquisadora. 

Thalita Queiroz/Rdnews

Daniela, que é especialista em ciências do solo e com mestrado e doutorado na linha de pesquisa de sistemas de produção, explica também as problemáticas de se trabalhar com investimentos voltados a solos arenosos e como conhecê-los e saber como adaptá-los para uma produção é necessário.

A pesquisadora exemplifica, em números, a porcentagem da tipologia do solo presente no centro de pesquisa e propõe maneiras de se trabalhar. 

"Aqui a gente tem solos arenosos, que quer dizer que temos menos de 15% de argila, ou seja, o restante dessa composição são partículas mais grosseiras. Essas partículas vão fazer com que o solo tenha uma menor agregação. Eles vão ser mais suscetíveis à erosão, [e ter] menor capacidade de armazenamento da água. Então eu vou ser mais suscetível a estresse hídrico nesse solo e eu vou ser mais pobre em nutrientes, porque eles não têm partículas que vão reter os nutrientes. É por isso que a Aprosoja já faz pesquisas nesses solos, porque eles são problemáticos e hoje a gente tem uma porcentagem considerável dessas áreas sendo agricultadas no Mato Grosso", afirma a Daniela.

Aprosoja MT

“É por isso que a Aprosoja já faz pesquisas nesses solos, porque eles são problemáticos e hoje a gente tem uma porcentagem considerável dessas áreas sendo agricultadas no Mato Grosso.”

Daniela Facco, engenheira agrônoma e pesquisadora.

Com cerca de 86 hectares, o Ctecno Parecis segue realizando o manejo dessas áreas durante os últimos dez anos, pois, como ressalta Daniela, é apenas estudando, tanto o solo quanto o que é plantado nele a forma de se fazê-lo, a longo prazo que se tem uma noção real dos ganhos sobre o que é feito.

A pesquisadora complementa dizendo que por diversas vezes, produtores desistem de trabalhar em determinados solos ou espécies de manejo por não verem respostas significativas em pouco tempo. A engenheira agrônoma reforça que o trabalho do centro de pesquisa cumpre um papel justamente para com o produtor: o de informar e assegurar que o manejo realizado pode e vai dar retornos positivos a ele. 

Durante a visita, Daniela comenta que, apesar de o centro de pesquisa tratar dos solos arenosos com certa proximidade de solos como silte e argila, as características são completamente diferentes, o que possibilita aos pesquisadores direcionar os produtores para como e o que deve ser plantado em determinados locais. A pesquisadora explica também que, por serem "pobres", a correção desses solos é de extrema necessidade, haja vista que o objetivo seja produções em grande escala. 

Bruno Lopes/Aprosoja MT

"A correção dele é feita por meio de calcário, isso vai fazer com que a gente dê uma condição química melhor para esse solo. Além disso, precisamos fertilizar, colocar os nutrientes necessários. Então vêm fósforo, potássio e enxofre. Tudo isso temos em ensaios com doses, com modos de aplicação, fontes diferentes. A gente tem as avaliações desde a correção do solo até essa parte de manutenção das culturas com adubação", elucida a pesquisadora. 

Bruno Lopes/Aprosoja MT

Entre os resultados importantes dos dez anos de pesquisas conduzidas no Ctecno Parecis, está o aumento da produtividade com a melhora biológica do solo, a partir da preservação, da diversidade de culturas plantadas e do aporte de nitrogênio, tudo isso sendo realizado por plantas de cobertura e já não mais por fertilizantes.