PL Jovem de MT diz que grupo com mensagens de ameaça é aberto e não representa o movimento
Mensagens articulavam ato pró-Flávio Bolsonaro e motivaram representação ao MPF por coletivo estudantil
O PL Jovem de Mato Grosso divulgou nota oficial para se manifestar sobre o vazamento de mensagens de um grupo de WhatsApp ligado ao movimento. Nos prints, participantes cogitam agressões físicas contra estudantes e professores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), além de sugerirem o porte de canivetes e armas de fogo durante atos no campus de Cuiabá. Em sua defesa, a entidade partidária afirmou que o canal é aberto ao público e sustentou que as declarações não refletem o posicionamento da organização.
“Sobre os prints de conversas que circularam, é importante esclarecer que se trata de um grupo aberto, no qual diferentes pessoas podem se manifestar individualmente. Comentários feitos nesse ambiente não representam, por si só, o posicionamento oficial da organização, tampouco devem ser interpretados como diretrizes ou decisões do movimento. A existência dessas conversas não significa que tais falas sejam endossadas ou que correspondam aos objetivos da mobilização”, diz trecho da nota.
Reprodução das redes sociais/Montagem Rdnews
Inicialmente, a vice-presidente do PL Jovem de Mato Grosso, Julianne Carvalho, afirmou à reportagem que os responsáveis pelas mensagens foram advertidos, tiveram os comentários apagados e pediram desculpas pelas declarações. Em relação ao integrante que mencionou possuir uma arma no veículo, Julianne alegou que ele estava “apenas brincando” e que não possui armamento de verdade.
Já o presidente do PL Jovem de Mato Grosso, Guilherme Oliveira, contestou a publicação em um comentário nas redes sociais do #rdnews, classificando as informações como "mentiras". A manifestação, no entanto, foi apagada posteriormente.
"De novo essas mentiras? Pois estivemos na UF semana passada, e não tiramos nenhuma folha do local. Agora seria diferente? Patético!", escreveu Guilherme no comentário excluído.
O caso
As mensagens que geraram a polêmica vieram à tona nesta quinta-feira (22) e envolvem a articulação de uma manifestação em apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. O ato está marcado para esta quinta-feira (22), a partir das 18h, com concentração no estacionamento do Restaurante Universitário (RU).
Nos prints divulgados, um dos integrantes orienta os demais a levarem canivetes para a mobilização. Em seguida, o mesmo perfil escreve: “Não sei se a gente pega para bater nos alunos ou nos professores”. Outro trecho mostra um segundo participante afirmando que possui uma arma de fogo guardada no carro, enquanto uma terceira pessoa sugere que ele a mantenha na cintura durante o protesto.
Em reação às mensagens, o Coletivo Para Todos de Mato Grosso, movimento estudantil de esquerda ligado à defesa da educação pública, informou ter acionado o Ministério Público Federal (MPF). O grupo protocolou notícia de fato para exigir a apuração do caso e a responsabilização cível e criminal dos envolvidos.
Na nota, o PL Jovem alegou que a manifestação tem o objetivo de ser pacífica. “Não compactuamos com violência, ameaças, intimidação ou qualquer tentativa de impedir outras pessoas de exercerem seus direitos”, diz outro trecho.
Esta é a segunda mobilização organizada pelo PL Jovem dentro da UFMT. A primeira "Caminhada da Direita" ocorreu na última sexta-feira (16) e atraiu um grupo reduzido de apoiadores. Na ocasião, os manifestantes concentraram-se em frente ao bloco de Economia com o objetivo de marchar até o RU. O objetivo da ação era demonstrar força política e encorajar estudantes e docentes alinhados à direita a se manifestarem publicamente no campus.