Santuário em Chapada vai receber os primeiros elefantes em outubro; veja
Rdnews
Primeiros elefantes chegam em Chapada dos Guimarães em outubro para viver no santuário preparado para receber animais resgatados de cativeiros pelo mundo
A paixão por elefantes fez com que um grupo de americanos e brasileiros buscassem ações para criar no Brasil o primeiro santuário de elefantes da América Latina e, assim, dar refúgio e uma nova liberdade a dezenas destes animais selvagens criados em cativeiro. O projeto está sendo dirigido pela ONG Santuário de Elefantes Brasil (SEB), que tem uma propriedade de 1,1 mil hectares, o equivalente a 1.540 campos de futebol, em Chapada dos Guimarães (a 50 km de Cuiabá).
Com exclusividade a reportagem do #rdnews visitou o primeiro santuário de elefantes da América Latina. No dia 5 de outubro chegaram as primeiras moradoras do local. A área conta com parte de planta nativa preservada, nascentes d’água, aclives e pastos. Conforme o Ibama, a ONG tem autorização do órgão estadual do meio ambiente.
Gilberto Leite
Junia Machado dirige os trabalhos da ONG SEB, que já se prepara para receber os elefantes
Segundo a presidente da SEB, Junia Machado, mostrou ao #rdnews o estabelecimento está sendo construído nos parâmetros do Elephant Sanctuary In Tennessee(TES) nos Estados Unidos, instituição parceira da ONG brasileira que foi criada em 1995. Uma das elefantas que virá para o santuário é a Rampa, asiática de 50 anos, que viveu por décadas trabalhando em circos na Argentina e no Chile. “O passado deixou marcas permanentes nela. São cicatrizes e um problema renal crônico”, conta Junia.
Mas quem chegará primeiro a Mato Grosso serão a Maia e a Guida, as duas tem 40 anos. A dupla vive em uma fazenda em Minas Gerais desde 2011, quando foram resgatadas pelo Ministério Publico, na Bahia. “Agora nos temos a tutela delas”, diz.
Equipe de Trabalho
De acordo com a presidente da ONG, a SEB tem biólogos e veterinários especializados nos manejo com os elefantes. Um dos cofundadores do TES, Scott Blais é um exemplo, ele faz parte agora da equipe no Brasil. Outro destaque também para Joyce Poole que estuda o comportamento dos elefantes há 40 anos, e também ajudou a criar a ONG.
Foi com ajuda da instituição americana que a SEB conseguiu levantar fundos para comprar a região onde está localizado o santuário. O custo foi de R$ 3, 1 mil por hectares, preço considerado abaixo da média para a região. “Quando o santuário estiver em pleno funcionamento, poderá abrigar até 50 elefantes vindos de circos e zoológicos”, explica.
Ela esclarece que o santuário não realizará reproduções da espécie e nem será aberto à visitação. “Queremos que esses animais tenham paz e tranquilidade. Ainda não existe um modelo para que as pessoas possam vê-los sem tirar a liberdade deles”, explica Junia Machado.
Um dos objetivos da ONG é instalar no futuro, um centro de visitação em Chapada dos Guimarães para difundir informações sobre os elefantes. “Para suprir a curiosidade que sabemos que todos terão pretendemos instalar televisores, que transmitirão imagens em tempo real, do abrigo”, afirma .Outro pequeno centro educacional deve ser instalado nas imediações do santuário, para pesquisadores. “A manutenção da estrutura será custeado por meio de doações, sem verba publica”, completa.
Arrecadação
A SEB começou em agosto uma campanha na internet uma campanha para custear o transporte de duas elefantes fêmeas que devem morar no primeiro santuário de elefantes da América Latina. No Brasil, a instituição pretende arrecadar R$ 90 mil para cobrir os gastos, e até o momento já atingiu 45% do valor.
Ao todo, a instituição prevê um gasto de R$ 141 mil com o transporte das duas elefantas. O restante do dinheiro já foi arrecadado no exterior. Lá já atingimos o objetivo. Esperamos que aqui no Brasil também consigamos chegar lá”, pondera.
A campanha funciona da seguinte maneira: as pessoas devem doar por km. Isso porque, as doações são convertidas em quilometragem. Com R$ 28, por exemplo, é possível doar 0,5 km. O valor para doar 10 km é de R$ 562. A campanha fica no ar até o dia 15 de setembro.
A instituição deve gastar R$ 80 mil na compra de duas caixas metálicas que serão usadas no transporte de Guida e Maia. Além disso, cerca de R$ 45 mil devem ser usados com as carretas e com guindastes. Outros R$ 16 mil serão usados para pagar os gastos com a equipe e gastos extras.
As carretas devem percorrer duas vezes os 1,6 mil km que separam o sítio em Minas Gerais e o santuário em Chapada dos Guimarães. O ativista Scott Blais assegurou que o Brasil é o lugar ideal, graças ao clima os elefantes poderão se movimentar em liberdade durante todo o ano. “Não teremos que levantar edifícios para protegê-los do frio no inverno", lembra.
Outro ponto destacado pelo americano é os avanços registrados por esses animais. “Uma vez que desfrutam do espaço necessário. A melhora física e psicológica é impressionante", conta.
Os especialistas estimam que em 12 anos não restem mais elefantes em liberdade devido à diminuição de seu habitat tradicional na África e na Ásia e as constantes capturas por marfim ou uso humano. Lugares como esse, alertam os estudiosos, serão os últimos redutos para refugiar estes grandes animais.