Cuiabá, 23/09/2026

Sindicato vê covardia e realiza protesto para pressionar Câmara

Servidores do socioeducativo devem se reunir em frente ao Legislativo nesta terça

Arquivo Pessoal | Reprodução

O Sindicato dos Profissionais do Sistema Socioeducativo de Mato Grosso (SINDSPSS) realiza nesta terça (5), a partir das 9h, um protesto em frente à Câmara por conta da morte do agente Alexandre Miyagawa, ocorrida na sexta (1º). Japão, como era conhecido, foi morto a tiros, disparados pelo vereador Marcos Paccola (Republicanos), em circunstâncias que ainda são investigadas pela Polícia Civil. 

A manifestação  pretende pressionar o Legislativo a adotar medidas contra o vereador. Ontem, a vereadora Edna Sampaio (PT) apresentou um requerimento para afastamento de Paccola do cargo na Câmara. A situação do parlamentar foi discutida poucas horas antes da representação no colégio de líderes, sem anúncio de qualquer medida, à espera do término das investigações. O partido de Paccola, procurado pelo #rdnews, também informou que aguarda o fim do inquérito da Polícia Civil, mas garante que o assunto será debatido internamente, uma vez que Paccola é, até então, pré-candidato a deputado estadual da legenda. 

Para o presidente do sindicato, Paulo César da Costa, o militar agiu de forma "covarde" ao atirar em Japão pelas costas. A manifestação desta terça convocou todos os servidores do sistema socioeducativo via redes sociais na segunda (4), diante da repercussão que o caso ganhou durante todo o fim de semana. Conforme Paulo César, as categorias do sistema estão revoltadas com o ocorrido.

“Isso me deixa revoltado e causa uma revolta em toda a categoria. O Alexandre estava de costas e ele agiu muito covardemente” afirmou ao #rdnews, referindo-se ao vereador Paccola. A declaração foi dada depois que o vídeo se tornou público, confirmando os tiros pelas costas. Contudo, Paccola afirma que as imagens e a apuração do caso pelos policiais vão confirmar sua versão dos fatos.

 Paulo César também criticou a decisão de Paccola de atirar contra o agente socioeducativo. Segundo o sindicalista, o ato também mostra despreparo. “Nós [sistema socioeducativo] recebemos treinamentos, reciclagens, dizendo que uma arma apontada para baixo não pode fazer nada! E um tenente-coronel, totalmente covarde, utiliza uma sem nenhuma técnica ou preparo”. Paccola é tenente-coronel e fez parte do Batalhão de Operações Especiais, o Bope, por 10 anos.

O caso

 Alexandre Miyagawa foi morto pelo vereador Marco Paccola no Bairro Quilombo, em Cuiabá. Paccola informou que o agente do centro socioeducativo Pomeri estava armado e envolvido em uma briga com uma mulher. Alegando agir em legítima defesa e a favor da mulher ameaçada, o vereador atirou contra o agente. Já a namorada da vítima, Janaína Sá, em vídeos nas suas redes sociais, garantiu que não houve agressão e que Alexandre estava com a arma na cintura e o celular na mão.