Testemunha afirma que Japão sacou e ergueu arma a pedido da namorada
Agente do sistema socioeducativo foi morto a tiros pelo vereador Marcos Paccola, na última 6ª
Uma testemunha, não identificada, afirmou que a agente do sistema socioeducativo, Alexandre Miyagawa, 41, teria sacado arma e apontado para cima, momentos antes de ser alvejado e morto pelo vereador tenente-coronel Marcos Paccola (Republicanos), em Cuiabá.
Segundo a testemunha, Alexandre, chamado pelos amigos de "Japão", teria agido a pedido da sua namorada, Janaina Sá, que no momento estaria discutindo com pessoas em frente a uma distribuidora, no Bairro Duque de Caxias.
“Ela virou para o Japão e disse 'saca sua arma aí e atira em todo mundo. Saca a sua arma'. Ele sacou a arma e levantou a arma para cima. Aí gritaram ‘ele tá armado’”, relatou a testemunha.
O áudio foi divulgado em reportagem veiculada na TV Centro América, nesta segunda (4). O caso ocorreu na noite da sexta (2).
Imagens de câmeras de segurança da região mostram que, momentos antes da confusão na distribuidora, o carro em que Alexandre e Janaina estava atravessa a Avenida Filinto Müller em alta velocidade e invade a Rua Presidente Arthur Bernardes na contramão.
Paccola passava pelo local e relatou que interveio na situação após ser chamado e ouvir as pessoas ao redor dizerem que Japão estava armado. Ele diz que agiu em legítima defesa e para proteger terceiros. Segundo o vereador, ele gritou algumas vezes para o agente abaixar a arma, antes de efetuar os disparos.
Nas imagens é possível ver que, no momento em que foi atingido, Japão estava de costas para Paccola, seguindo a namorada.
No dia seguinte à morte do agente, Janaina publicou um vídeo em suas redes sociais em que aparece afirmando que a vítima estava com a arma guardada no coldre a todo momento e que não teria feito ameaças a ninguém.
"Se ele tivesse armado, com a arma na mão como ele [Paccola] está falando, na hora que ele caiu, cadê a arma, que estava na cintura? O que estava na mão era celular. Então, ele morto estava com a arma na cintura. Mentiroso", acusou a namorada em vídeo.
O vereador, por sua vez, contestou a versão apresentada pela namorada do agente e afirmou que o homem estava com uma arma em punho quando foi atingido pelos disparos.
Em um grupo de WhatsApp, o parlamentar ainda publicou vídeos para mostrar que já lecionou e ensinou a magistrados que a tese de tiros pelas costas também pode ser justificada como legítima defesa.
"Fui eu que busquei, todo tempo que fiquei no TJMT... Mostrei na prática e didaticamente para o magistrados (sic)", diz em um post.
Em outra declaração, afirmou que as imagens irão confirmar que sua versão será comprovada. “Tenho convicção que a versão que eu coloco é exatamente a versão na construção das imagens", disse.