Torcida é verde-amarela, mas voltar não, diz família cuiabana que mora na Suíça
Cuiabana Kelby leva a bandeira do Brasil pelos caminhos da Suíça, em Lugano, onde mora com o marido e o filho, de 18 anos, com alta qualidade de vida
A amarelinha já está no jeito, a bandeira do Brasil também e a até o cardápio já foi escolhido: um bom churrasco. Tudo pronto para a família do cuiabano Cleuton Kunzler, 48 anos, que vive há cerca de 25 anos em Lugano, na Suíça, acompanhar a estreia da seleção brasileira na Copa da Rússia neste domingo (15).
A seleção canarinho pega a Suíça às 14h, horário de Mato Grosso e, devido ao fuso horário, às 20 h na Suíça.
O cuiabano radicado no país garante que no futebol o coração da família é 100% Brasil. Confessa que sente falta de tudo do país de origem, menos do calor. Mas diz que não pensa em voltar para Cuiabá tão cedo. “A Suíça tem tudo do bom e do melhor. Saúde, educação e principalmente segurança”, avalia.
Arquivo Pessoal
Cleuton Kunzler e a esposa Kelby sentem falta de tudo no Brasil, menos do calor
A esposa de Cleuton, a bióloga cuiabana Kelby de Aquino, 47, foi pela primeira vez para Suíça aos 24 anos, depois de namorar com Cleuton durante uma estada dele por aqui.
O casal retornou ao Brasil em 1999, abriu uma farmácia no Jardim Imperial em sociedade com um parente.
O filho Renan nasceu em Cuiabá no ano seguinte, mas devido a um assalto na farmária e outro na casa deles, no bairro Santa Cruz, resolveram retornar novamente à Suíça. A violência urbana os exilou.
O filho tinha dois anos na época.
“Hoje ele tem 18 anos, quer fazer arquitetura aqui, tem um longo caminho pela frente”, explica. “A educação é pública e de muita qualidade. Ele faz a escola superior, que prepara para universidade. Aqui não existe vestibular. A pessoa entra se tiver nota superior a 4,5 ou 5, a nota máxima é 6”, explica.
Renan chegou a ser alfabetizado no Brasil, em mais um retorno da família a Cuiabá devido a problemas de saúde da mãe da Kelby que depois faleceu. “Ela é muito ligada à família e foi importante estar presente nessa fase com os irmãos. Mas eu sempre quis que o Renan estudasse aqui”, comenta Cleuton que teve que parar no 3ª ano do curso de Marketing para seguir o sonho de aprender línguas e ter uma vida mais tranquila. “A Suíça tem quatro línguas oficiais, alemão, francês, italiano e romanche”, cita. O romanche é um conjunto de dialetos pertencente ao ramo reto-românico das línguas romanas. “Eu falo seis línguas, a Kelby três e Renan duas e meia”, brinca. “Em casa falamos sempre em por
Brasiluganos é um time de brasileiros erradicados em Luganos e já jogou até com 4 graus
tuguês”.
“A Suíça tem tudo do bom e do melhor. Saúde, educação e principalmente segurança”
Em Lugano, Cleuton trabalha com alarmes e segurança especializada de asilos. Kelby, revalidou seu diploma de biologia, mas ainda não conseguiu atuar na área. Esta empregada como caixa de uma rede de shopping e supermercado.
Os Brasiluganos
Na Suíça, o futebol não é tão forte quanto no Brasil. Os esportes mais praticados por lá são Schwingen (uma luta tipo sumô disputada em ringue coberto de serragem), Hornusse
Arquivo Pessoal
Kelby já está adaptada ao turismo na neve
n (golfe da fazenda) e Steinstossen (arremesso de pedra à distância), mas os brasileiros tentam manter a tradição.
Na família cuiabana, dos três Kelby é a menos entusiasmada com o futebol. Diz que está na torcida pelo Brasil, mas torce também pela Suíça e para Portugal. “Nesta ordem”, reforça. Já Renan e Cleuton participam de um grupo de brasileiros que jogam futebol todo domingo em Lugano, os Brasiluganos. “Já fomos para o campo com 4 graus", afirma. Vôte! "Mas estamos adaptados, tanto que no verão sofremos para jogar com temperatura entre 25 e 30 graus, temperaturas muito altas para os suíços”, compara.
Lugano fica a 205 km de Berna, a capital do país, e é considerada um pedacinho da Itália na Suíça. “Aqui é a cidade do sol. Gostamos muito daqui”, afirma Cleuton. As férias de 2018 já estão programas, para Itália. Mas em 2019, o plano é matar a saudade da família no Brasil.