Com flexibilidade, cheerleading dá salto e se expande entre atletas universitários
Para quem já assistiu filmes com cenário baseado em universidades estadunidenses, já viu líderes de torcida nas quadras esportivas ou campos de futebol, o esporte se chama cheerleading e surgiu nos Estados Unidos com a necessidade de torcidas organizadas. Todavia, atletas em Mato Grosso lutam contra os estereótipos, preconceitos e a desinformação da atividade, que não é formada só por meninas e nem apenas dar piruetas e balançar pompons.
Em diferentes modalidades, entre elas, a principal é a coed, que são grupos compostos por homens e mulheres; depois a all girl, que é composta apenas por meninas; cheer pom, onde há performances de dança com pompons e a cheer dance, que é a dança com ritmos específicos como, por exemplo, o hip hop.
Segundo a cheerleader, Gabriela Cristina Silva Campos, 23 anos, o esporte trabalha valores como confiança, respeito, comprometimento e espírito de equipe. “O conheci através da Atlética Caiman, da Biologia da UFMT, e fui uma das primeiras a aderir à prática aqui, no ano de 2014. As primeiras equipes foram Caiman e a Turuna”, contou.
Gabriela mora em Cuiabá desde 2004 e veio de Porto Velho, Rondônia, mas explica que foi amor a primeira vista. Os treinos funcionam principalmente na UFMT, aos sábados e são compostos de exercícios de condicionamento físico, para dar força e resistência aos atletas, exercícios de flexibilidade e específicos do cheerleading. “Fazemos os jumps (saltos), tumbling (acrobacias de ginástica), movimentos de dança (que são chamados de motions) e as famosas elevações onde as atletas em geral são erguidas no alto”.
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Caiman Biologia é uma das primeiras equipes de cheerleading da UFMT. Esporte é dividido em várias modalidades e não é praticada apenas por meninas
As apresentações geralmente ocorrem nos campeonatos universitários entre as atléticas. Hoje já existem competições específicas pra modalidade, pautadas em regras. “O cheer tem algumas bases da ginástica incluídas em suas rotinas, porém como é composto de outros elementos não é possível dizer que ele é apenas ginástica. Ela é apenas um dos pilares do esporte”, ressaltou.
Segundo Gabriela, ele é mais eclético, pois qualquer biotipo pode se encaixar no esporte e encontrar uma posição para exercer no esporte, que são a flyer, base ou spotter. “Isso é tão verdade que existem equipes chamadas de ParaCheer, que são equipes compostas por pessoas com algum tipo de deficiência, seja física ou mental, tendo inclusive integrantes com Síndrome de Down. É um esporte sem preconceitos, que une dança, ginástica, saltos e as elevações”, frisou.
“É um esporte sem preconceitos, que une dança, ginástica, saltos e as elevações”
Gabriela faz parte de uma equipe com aproximadamente 25 atletas, entre homens e mulheres de 17 a 25 anos, que se entitulam de Atlética Furnarius da Arquitetura da Universidade de Cuiabá. Ela ressalta que o esporte foi muito difundido em 2017 e alcançou cerca de sete equipes na UFMT.
"Hoje já temos muitas outras equipes, inclusive, nas universidades particulares. O Cheer é um esporte muito caro e não ter apoio e patrocínio é um dos principais fatores pelos quais muitas equipes desistem de treinar e atuar”, disse.
Ressalta que não há um ginásio, a exemplo do Marvel no Rio de Janeiro, equipado corretamente para as necessidades do Cheerleading. "Muitas equipes são forçadas a treinar na grama, dentro de salas de aula, sem colchonetes, tatames ou equipamentos de segurança necessários à correta prática do esporte". Reclama ainda da falta de treinadores especializados. "Apesar disso, em Cuiabá, há uma treinadora formada Coach pela União Brasileira de Cheerleading (UBC), que inclusive levou uma equipe para representar a UFMT no Campeonato Nacional de Cheer e Dance”.