Cuiabá, 12/10/2026

Câmera instalada em parabólica captou imagens de deputados recebendo propina

Marcus Mesquita

Ao MPF, Silvio Correa conta como conseguiu gravar deputados pegando dinheiro de propina

No depoimento prestado ao Ministério Público Federal (MPF) em 2 de maio deste ano, o ex-chefe de Gabinete do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) Sílvio Corrêa revela como gravou os cinco vídeos de aproximadamente 22 minutos, em que deputados estaduais ou ex-parlamentares aparecem recebendo ou negociando propina.

A câmera adquirida em São Paulo foi instalada em um pequeno furo no dispositivo da antena parabólica, que ficava dentro da sala, na Governadoria, no Palácio Paiaguás.

Para instalar a câmera e ajustar o enquadramento, Silvio declara ter contado com auxílio de Valdecir Almeida, conhecido como Negão, que é servidor da Assembleia e fazia sua segurança. No entanto, o funcionário só ficou sabendo do objetivo das gravações quando viu a movimentação de deputados estaduais no recinto.

Os gravados recebendo dinheiro foram o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PMDB), a prefeita de Juara Luciane Bezerra (PSB), o deputado federal Ezequiel Fonseca (PP), o estadual Zé Domingos Fraga (PSD), além dos ex-parlamentares Jota Barreto (PR), Antônio Azambuja (PP), Alexandre César (PT) e Airton Português (PSD), que estava acompanhado pela irmã Vanice Marques, ex-secretária estadual de Turismo, Baiano Filho (PSDB), Gilmar Fabris (PSD) e Luiz Marinho (PTB), que é irmão do presidente da Assembleia Eduardo Botelho (PSB).

No depoimento, Silvio declara que resolveu gravar os deputados devido à pressão que a Assembleia exercia sobre o governo. Como exemplo, afirma que mensagens do Executivo não eram votadas sem a liberação do mensalinho de R$ 50 mil. As declarações do ex-chefe de Gabinete constam na delação premiada do ex-governador, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 9.