Cuiabá, 22/09/2026

Silval comprou votos na AL por 10 anos e acusa Maluf de pagar R$ 16 mi em 2014

Reprodução

 Trecho da delação de Silval em que detalha esquemas envolvendo a compra de votos dentro da Assembleia

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) segue "entregando" a rodo nomes e esquemas em acordo de delação premiada celebrado por ele com a Procuradoria Geral da República e homologado pelo STF. Desta vez, revela como se deu a compra sistemática de votos para a eleição da Mesa Diretora da Assembleia.

Ele teria participado ativamente da negociata em 2002, 2004, 2006, 2008, 2010 e 2012 (os membros da Mesa Diretora são escolhidos a cada dois anos).

"À época geralmente se referiam à quitação de dívidas de campanha. Em alguns casos era entregue dinheiro e em outros eram levantados os valores dos débitos, muitas vezes com Valdir Piran", diz Silval sobre a gênese do esquema, em 2002.

Depois, revela que muitas obras na Assembleia eram usadas para obter retorno. Silval e Riva por muitos anos se revezaram no comando e 1ª secretaria. Depois de eleito, seguiu bancando o esquema para garantir apoio político aos projetos que precisava votar.

Porém, o ex-governador - que foi vice do senador e ministro da Agricultura Blairo Maggi (também delatado por ele) - afirmou saber que a troca de dinheiro por apoio político na eleição dos comandantes da Assembleia sempre existiu e que ccontinuou.

Silval diz, inclusive, que voltou a ser procurado depois das eleições 2014, quando a Mesa Diretora do Parlamento era visada pelos deputados Romoaldo Junior (PMDB) e Mauro Savi (PSB), ambos estavam atrás de recursos para compra de seus pares. Segundo o ex-governador, os dois queriam a presidência no biênio 2015/2016 - saiba quais foram os presidentes até 2014.

Foram aconselhados por Silval a parar de brigar e se unir. Foi ai que decidiram, segundo o peemedebista, tentar disputar a primeira-secretaria (Romoaldo) e a presidência (Savi) em dezembro de 2014.

Numa espécie de terra arrasada, a ex-autoridade máxima do Estado afirma com todas as letras à PGR que não há outro caminho – que não o firmado com base no dinheiro ilícito – para sentar-se nas cadeiras de comando da Assembleia. “Eles procuraram o colaborador pedindo ajuda financeira para pagar os deputados em troca dos votos, sendo que eles diziam que precisavam de R$ 8 a R$ 10 milhões para pagar os parlamentares e conseguir a Mesa”, diz trecho da delação a que a imprensa teve acesso. Silval teria, entretanto, negado a propina.

O ex-governador afirma também que Savi e Romoaldo desistiram da disputa após firmarem acerto com dois outros colegas: um do PSDB, Guilherme Maluf, e outro do PSD, Nininho Bortolini - eleitos presidente e primeiro-secretário, respectivamente.

“Romoaldo e Savi reclamaram com o colaborador por não ter ajudado financeiramente na eleição da Mesa, pois eles disseram que Guilherme Maluf teria acertado com os deputados estaduais em torno de R$ 16 milhões para assumir”, diz Silval.

A chapa Nininho-Maluf foi eleita com apoio de 23 parlamentares, apenas um votou em branco, mas como a eleição é secreta não se sabe qual. As denúncias feitas por Silval ainda estão sendo investigadas e o peemedebista se comprometeu a apresentar provas.

Ao #rdnews, o deputado Guilherme Maluf afirma que ainda não viu o teor da delação, mas acredita que o ex-governador busca se beneficiar com as informações repassadas à PGR.

"É um absurdo. Silval tenta se beneficiar com a delação dele. Nunca houve nada disso. É muito dinheiro (os R$ 16 milhões). Romoaldo e Savi eram candidatos dele (Silval), e os deputados votaram em uma chapa ligada ao governador, por isso, fui eleito presidente. Não tem nada disso", explica.

 Confira, acima, a segunda parte da declaração de Silval acerca dos esquemas de compra de votos de deputados em eleições para a Mesa Diretora da AL