Silval diz que Nininho teve aval de Fávaro para construir estrada em parque estadual
Tanto o vice-governador Carlos Faváro quanto o deputado Nininho negam as acusações feitas por Silval
O deputado estadual Ondanir Bortolini, o Nininho (PSD), teria construído uma estrada no Parque Estadual Cristalino, na região de Novo Mundo, divisa de Mato Grosso com Pará, com autorização do vice-governador e secretário estadual de Meio Ambiente (Sema), Carlos Fávaro (PSD).
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Deputado Nininho e vice-governador Fávaro negam acusações do ex-governador Silval
A acusação é do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), em depoimento à procuradora da República Vanessa Cristhina Scarmagnani, em 21 agosto deste ano. A declaração compõe o acordo de colaboração premiada (delação) firmado com a Procuradoria-Geral da República.
No depoimento, divulgado pelo site HiperNotícias, Silval disse que o irmão, Antônio Barbosa, era dono de metade de uma pousada denominada Cristalino, a outra metade foi vendida por ele ao pastor Valdomiro Santiago, que ficava dentro do parque estadual criado pelo ex-governador Dante de Oliveira (já falecido).
De acordo com o peemedebista, em dezembro de 2016, o irmão sobrevoava a área e avistou uma estrada ao lado da pousada, que havia sido aberta recentemente. No dia, ao chegar na propriedade, Antônio teria sido informado pelo funcionário do pastor, que tomava conta da pousada, que a estrada tinha sido aberta a mando de Nininho.
Segundo Silval, o irmão soube que o deputado abriu um espaço da estrada no local, até a margem do rio Cristalino e tinha a intenção de construir uma ponte em 90 dias sobre o rio, para encurtar o caminho entre a fazenda de Nininho, que ficava no Pará, e Alta Floresta.
Venda
No depoimento, o ex-governador declara que Antônio procurou Nininho para saber se ele tinha autorização ou licença para abrir a estrada, assim como construir a ponte dentro do parque estadual.
“Nininho afirmou que já tinha conversado e estava tudo acertado com Carlos Fávaro”, diz trecho do depoimento. Antônio, de acordo com o peemedebista, teria dito ao deputado que a construção poderia prejudicá-lo, pois já havia recebido um auto de infração da Sema, por ainda continuar na área.
O parlamentar, conforme Silval, propôs a compra da pousada, garantindo que iria resolver os problemas. O irmão do peemedebista aceitou a proposta e vendeu a parte da propriedade por R$ 500 mil.
Segundo o ex-governador, Nininho pagou uma parte em dinheiro e a outra com a entrega de um trator esteira D60, do ano de 1991. Silval não soube dizer se o deputado comprou a parte da pousada de propriedade de Valdomiro. Ele ainda esclarece que o contrato da venda da parte de Antônio foi assinado por Odete Borcheid Melo, indicada pelo parlamentar.
“Segundo o ex-governador, Nininho pagou uma parte em dinheiro e a outra com a entrega de um trator esteira D60”
No contrato, Nininho teria pedido para que o valor de compra fosse declarado em R$ 200 mil, sendo R$ 50 mil em dinheiro e o restante no trator.
Outro lado
Ao #rdnews, Fávaro repudia as acusações de Silval e diz que o ex-governador mente ao dar a entender que houve facilidades ou qualquer outro ato espúrio por sua parte.
Além disso, declara que na Sema não há registros desse processo citado, "muito menos autorizações para qualquer fim específico que não tenha seguido os trâmites legais da secretaria".
Nininho, por sua vez, afirma que assim como as ilações anteriores de Silval, vai provar que tais denúncias são infundadas. “Anteriormente, declarei que não tenho participação nas empresas citadas na delação, assim também como não tenho propriedade nas áreas citada pelo ex-governador na região do Cristalino”, diz. O parlamentar afirma que a relação com Fávaro é apenas partidária e institucional.
Investigação
Essas afirmações fazem parte da delação premiada de Silval, que foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal. As declarações e documentos, entretanto, ainda seguem sob análise da Procuradoria-Geral da República, que avalia se há ou não indícios suficientes para a abertura de uma investigação. Por enquanto, apenas um inquérito foi instaurado e tramita no Supremo. Ele aponta o ministro da Agricultura Blairo Maggi, Silval Barbosa e José Riva como líderes de esquemas no Estado – saiba mais aqui.