Cuiabá, 01/11/2026

Apesar de maior safra da história, pode ser pior ano para produtores

O deputado federal Adilton Sachetti (PSB) criticou, durante audiência pública que recebeu o ministro da Agricultura Blairo Maggi, a forma como alguns bancos conduziram o refinanciamento da dívida de produtores da safra passada. Segundo ele, a informação é de que muitos ignoraram os reflexos da seca ocorrida no ano passado, uma das maiores dos últimos 20 anos, e estão aplicando juros exorbitantes.

Adilton Sachetti critica juros abusivos

Nesta linha, pondera que este ano haverá a maior safra da história, mas também será um dos piores resultados aos produtores, sendo que muitos não sabem se o lucro vai custear, ao menos, às dívidas. Ele explica que o Banco do Brasil entendeu a situação dos produtores, que tiveram que renegociar devido perdas na safra, e apresentou juros conforme o Manual de Financiamento Rural.

Contudo, outras entidades financeiras cobraram juros de mercado para fazer o refinanciamento.  “E hoje, com o resultado da renda deste ano, que para muitos vai ser zero a zero, eles continuam na dificuldade”, avalia Sachetti. 

O ministro Blairo Maggi concorda com o parlamentar e também acredita que esta pode ser uma das safras que menor renda vai deixar para o produtor, e afirma que o ministério não poderá fazer nada. "Vamos ver o setor produtivo brasileiro parar de comprar, parar de investir e tentar, que nem urso, hibernar, para passar o momento difícil que vamos ter que passar nesse momento."

Diante disso, a única ação possível do governo seria continuar usando os instrumentos já implantados dentro das políticas públicas como o Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e o contrato de opção, sempre baseado no preço mínimo do produto. "E o preço mínimo não pega Sul e o Sudeste. Pega mais o Norte e Centro Oeste, dependendo ainda onde no Centro Oeste não consegue ainda chegar com algum apoio para a produção."

O ministro lembra que a safra mundial de grãos é toda interligada e computada como se fosse num lugar só, mas climaticamente tem dificuldades num lugar e outro, e isso altera preços. "Uma seca enorme no Brasil altera preço nos Estados Unidos. Uma chuva lá altera os preços e o Brasil teria que aproveitar essas questões", exemplifica.

Quebra

No ano passado, a produção de milho foi uma das mais prejudicadas, com uma quebra de cerca de 28% apenas em Mato Grosso. A forte estiagem foi a grande responsável. Com isso, até a produção de etanol a partir do milho caiu 71% na safra 2016/2017 em relação ao período produtivo anterior no Estado. O problema com o milho fez com que mais de R$ 2,4 bilhões deixassem de circular.  

Audiência

A audiência de ontem (10) aconteceu na Câmara Federal e teve o objetivo discutir a Operação Carne Fraca. Nela, Blairo informou que 100% da mercadoria está sendo inspecionada ao chegar no destino de importação, sem que tenha sido encontrada nenhuma inconformidade.

Há um reforço na fiscalização de rotina por 57 países importadores. “Na sexta, viajo em missão oficial para os Emirados Árabes, Kuwait, Arábia Saudita e Catar. Irei apresentar explicações para assegurar a manutenção desses mercados, que importam a maior parte do frango brasileiro”, disse o ministro, que respondeu ainda a questionamentos relativos ao Plano Safra e venda de terras para estrangeiros.

Sobre o Plano Safra, disse que está preocupado em manter tabela de juros compatível com os gastos dos produtores, Ressalta ter consciência sobre as dificuldades das pessoas que ajudam e muito a balança econômica do país.