Armazenagem deve ser gargalo na safra e milho pode ficar a céu aberto
Canal Rural
Capacidade de armazenamento de MT é de 34 milhões de toneladas, defasagem superior a 22 milhões de t previstas para próxima safra no Estado; desse total, milho terá 26 milhões de toneladas
O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Endrigo Dalcin, alerta que um dos grandes problemas que o setor deve enfrentar na próximo safra será a armazenagem dos grãos. A solução poderá ser, como em outras ocasiões, deixar a produção a céu aberto.
Endrigo revelou, nesta terça (13), que de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), deverá ser produzido na safra 2017/2018, 30,5 milhões de toneladas de soja e outras 26 milhões de toneladas de milho, totalizando 56,5 milhões de toneladas. Em contraponto, a capacidade instalada de armazenamento de Mato Grosso é de apenas 34 milhões de toneladas, uma defasagem superior a 22 milhões de toneladas.
O problema chegou a ser debatido no ano passado em encontros do setor com o Banco do Brasil, que criou linhas de crédito para produtores. Porém, desde lá, segundo ele, a questão teve poucos avanços.
“Vai ser um gargalo muito grande porque não resolvemos direito a questão. A gente melhorou bastante a infraestrutura de armazém, mas muito abaixo da velocidade que precisaria ter sido feita”, explicou.
O presidente argumentou que existem outros programas que pretendem dar uma resposta para esse conclame dos produtores. Ele argumentou, porém, que financiamentos através do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), que é uma linha de crédito do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, são bastante burocráticos e demorados para serem liberados.
Privatização
Entre as medidas para aliviar a questão está o repasse de armazéns no Estado, que são de propriedade da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para a iniciativa privada. A esperança é que o processo, que ainda está no começo, de acordo com o presidente, seja feito com rapidez.
Endrigo ainda afirmou também que a solução deverá ser deixar a produção a céu aberto, já que a solução não deverá se apresentar completamente ainda durante o próximo ano.
“Chega a um ponto que essa produção se encontra nos armazéns. Quem não retirou toda a soja e já está chegando o milho, e aí? Nós vamos ver a velha cena do milho a céu aberto. E se tudo correr normal e o plantio do milho for feito como a gente acredita que vai ser feito, dentro da janela ideal, nós vamos ter uma boa produção”, disse.
Ele salientou, ainda, que a falta de armazéns não deverá causar perdas na safra, já que por conta do histórico do problema, os produtores aprenderam, de certa maneira, a driblar a questão.
“O principal da colheita da soja é a capacidade de operacionar nas fazendas. Qualquer coisa, a gente vai mandar bastante soja embora. O problema é a gente conseguir conciliar depois o milho lá na frente”, reforçou.