Conversas desvairadas, diz Blairo sobre ataques de bolsonaristas contra a China
Rodinei Crescêncio
Ex-governador de MT e ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi classificou com "muita besteira e especulações" fala de ministro e deputado contra a China
O ex-governador de Mato Grosso e ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi, um dos maiores empresários do agronegócio no mundo, classificou como “conversas desvairadas” os ataques feitos pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub e pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República Jair Bolsonaro, contra a China. Os dois culparam o país asiático pela pandemia do novo coronavírus (Covid 19) com postagens consideradas xenófobas, o que gerou reação da Embaixada no Brasil.
Lamentando a situação, Blairo avalia que o mercado chinês é suficientemente maduro para não se desgastar com os ataques de Weintraub e Eduardo Bolsonaro. No entanto, diz que o constrangimento diplomático é uma “lástima”.
“Muita besteira, muita especulação, mas o mercado é suficientemente maduro para não entrar nestas conversas desvairadas. Estes negócios do agro se fazem por necessidade e não para agradar um ou outro, mas isso não é bom mesmo. Uma lástima estas conversas desvairadas”, pontuou Blairo.
Hoje, estima-se que a China consome 35% das exportações do agronegócio brasileiro. Mesmo assim, Blairo considera normal o anuncio de que o país asiático vai ampliar a compra de soja dos Estados Unidos.
“Eles (os chineses) precisam dosar as compras. Se forçar o mercado americano, sobe o valor em Chicago (Bolsa). Os Estados Unidos não conseguem abastecer o mercado sozinho, eles têm outros clientes mundo afora e um grande mercado interno, uma indústria de proteínas animal muito grande também”, completou.
Constrangimento diplomático
No final de semana, o ministro da Educação publicou em rede social insinuações de que o a China poderia se beneficiar, de propósito, da crise mundial causada pelo coronavírus. O texto foi apagado depois.
Mesmo assim, a embaixada chinesa no Brasil reagiu, também na rede social, divulgando uma nota na qual repudiou a fala de Weintraub. O embaixador, Wanming Yang, cobrou uma posição oficial do governo e classificou as declarações do ministro como “absurdas”, “desprezíveis” e de “cunho racista”.
“O lado chinês aguarda uma declaração oficial do lado brasileiro sobre as palavras feitas pelo ministro da educação, membro do governo brasileiro. Nós somos cientes de que nossos povos estão do mesmo lado ao resistir às palavras racistas e salvaguardar nossa amizade”, escreveu, marcando o perfil do Ministério das Relações Exteriores no Twitter.
“Deliberadamente elaboradas, tais declarações são completamente absurdas e desprezíveis, que têm cunho fortemente racista e objetivos indizíveis, tendo causado influências negativas no desenvolvimento saudável das relações bilaterais China-Brasil”, escreveu a embaixada.
Na postagem do ministro, Weintraub debochava dos chineses pelo fato de que, quando falam português, geralmente trocam o R pelo L das palavras como a fala do personagem Cebolinha, da Turma da Mônica.
“Geopolíticamente [sic], quem podeLá saiL foLtalecido, em teLmos Lelativos, dessa cLise mundial? PodeLia seL o Cebolinha? Quem são os aliados no BLasil do plano infalível do Cebolinha paLa dominaL o mundo? SeLia o Cascão ou há mais amiguinhos?”, escreveu Weintraub.
Em 18 de março, também em uma rede social, o deputado Eduardo escreveu que a culpa pelo coronavírus era da China. Na semana passada, também em rede social, o deputado se referiu ao novo coronavírus como vírus chinês o que também causou manifestações de repúdio do embaixador. (Com informações do Metrópoles)