Cuiabá, 01/11/2026

Em ano “sem precedentes”, MT tem queda em 7 de 11 culturas do campo

Gilberto Leite

Presidente da Famato, Rui Prado, explicou que o ano foi complicado para os produtores de MT por  fatores como a crise econômica do país, condições climáticas e a concorrência do mercado externo

Mato Grosso registrou, em 2016, queda na produção de sete das onze culturas analisadas pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O maior recuo aconteceu na produção de milho, que perdeu 27,8% em relação ao ano passado. Em contraponto, a pecuária registrou aumentos na produtividade em três das quatro produções do balanço.

Os dados foram apresentados na manhã desta quarta (14) pelo gestor de análise de mercado do Imea, Ângelo Luís Ozelame. A ocasião ainda marcou o lançamento do novo site da instituição, que a partir do próximo ano deve disponibilizar indicadores sobre a produção do arroz e do feijão caupi, preto e carioca em Mato Grosso.

As culturas que tiveram perdas foram a soja (-2,8%); milho (-27,8%); algodão pluma (-5,3%); algodão caroço (-5,7%); arroz (-17%); leite (-5,6%) e aves (-0,6%). Entre as culturas que tiveram os balanços divulgados somente a cana-de-açúcar (0,8%); boi (7,9%); vaca (0,3%); produtos florestais (7,9%) e os suínos (16,4%) tiveram ganhos na produção.

Por causa das dificuldades sofridas pelo setor, os preços de todos os insumos registraram aumentos. De acordo com o balanço, as altas foram de 23,5% (soja); 23,4% (milho); 25,5% (algodão pluma); 30,8% (algodão caroço); 16,6% (cana-de-açúcar); 20,2% (arroz); 1,1% (boi); 1,3% (vaca); 27,3% (leite); 11,8% (produtores florestais); 8,9% (aves) e 2,2% suínos).

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, explicou que o ano foi complicado para os produtores do Estado por causa de fatores como a crise econômica do país, que gerou, por exemplo, uma dificuldade de acesso ao crédito, condições climáticas desfavoráveis e ainda a concorrência do mercado externo.

“Para nós, 2016 foi um ano ímpar, um ano sem precedentes na história da agropecuária mato-grossense. Foi um ano onde nós tivemos uma quebra de safra na nossa principal cultura que é a soja e tivemos uma quebra também na segunda cultura, que é o milho, e no algodão. Em Mato Grosso, esse ano foi um ponto fora da curva”, salientou.

 Milho

Ângelo explicou que o milho, que foi o mais afetado, registrou uma produção de 74 sacas por hectare nesse ano, enquanto no ano passado foram 108 sacas por hectare. O número acabou impactando a produção, que ficou em 18,9 milhões de toneladas, frente aos 26 milhões de toneladas produzidas em 2015.

“Esses 18 milhões que foram produzidos ficaram muito próximo do que foi exportado por Mato Grosso no ano passado. Praticamente o que a gente produziu esse ano foi o que a gente exportou no ano passado”, argumentou.

Ele argumentou que, entre as causas para o panorama do milho estiveram, além da quebra da safra, um aumento no consumo interestadual, preços internos que foram inéditos em Mato Grosso e uma diminuição na exportação. 

Soja

A soja, principal cultura do estado, registrou queda de 2,8%. A produção em 2015 ficou em 28 milhões de toneladas e caiu para 27,8 milhões em 2016. Questões como algumas altas nos custos de produção, a quebra de safra e aumento do escoamento pelos portos do norte do Brasil - que fizeram com que o custo do produto aumentasse – foram algumas das justificativas do ano ruim para o insumo.

“Foi uma queda bem expressiva que foi puxada pelo problema climático que acabou afetando a produtividade, principalmente nas regiões do médio norte e do nordeste que tiveram problemas bem sérios. Nós tínhamos, no começo do ano, algumas boas perspectivas de produção e de lucro, porém, tivemos um percalço no meio do caminho”, comentou o gestor do Imea.

Pecuária

A pecuária sofreu, na questão de estoque de machos em Mato Grosso, com fatores como a oferta escassa de bovino, devido a processos de retenção de fêmeas, uma alta no preço das rações e uma baixa demanda da carne, que diminui as expectativas de preços iniciais, que acabaram resultando em um desestímulo do confinamento.

Ângelo disse que, durante os primeiros balanços realizados pelo órgão, os produtores estavam animados com os preços, que acabaram não se confirmando mais à frente. “Os preços que os frigoríficos estavam oferecendo para os produtores, para a entrega em outubro, novembro, estava em torno de R$ 140 por arroba, então vários produtores fecharam o negócio. Só que quando chegou próximo dessa data, o preço acabou não chegando nesse valor. Ficou próximo de R$ 133 por arroba, mostrando que as expectativas iniciais que a gente tinha de, quem sabe ter mais preço, mesmo com uma oferta mais escassa, acabou não acontecendo”, comentou. 

Valor Bruto de Produção

Apesar das quedas, Mato Grosso deve registrar um aumento de 12,35% no Valor Bruto de Produção (VBP) em relação ao ano passado. O número, que registra o preço médio recebido pelos produtores agropecuários dentro dos estabelecimentos, descontando a inflação e outros impostos, teve sua estimativa de dezembro divulgada no evento.

A soja alcançou um VBP total de pouco mais de R$ 28 milhões, enquanto o milho ficou com aproximadamente R$ 6 milhões. O algodão (R$ 5 milhões), cana-de-açúcar (R$ 1,3 milhão), o arroz (R$ 429 mil) e os produtos florestais (R$ 253 mil) foram os subseqüentes.

Na pecuária, o boi continuou na liderança com R$ 11 milhões, seguido de longe pela produção de aves (R$ 1,6 milhão), suínos (R$ 909 mil) e leite (R$ 541 mil).