Países que suspenderam importação compraram 33% da carne do Estado
Estado de Minas
China, Chile e União Europeia compram um terço da carne produzida em MT
Os países importadores da carne bovina que impuseram restrições ao Brasil correspondem a aproximadamente um terço dos destinos da produção pecuária mato-grossense. União Europeia, Chile e China somados foram responsáveis por cerca 33,4% das compras da carne bovina do Estado no ano passado. Os três tomaram algum tipo de medida contra o produto brasileiro nesta segunda (20).
A Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal na sexta (17), apontou a existência de irregularidades na fiscalização realizada em frigoríficos de vários estados brasileiros.
Depois da repercussão do caso, a União Européia pediu para o Brasil suspender a exportação de carne das empresas envolvidas. Já a China reteve em seus portos toda a produção exportada pelos brasileiros. O Chile, outro importante parceiro do país, suspendeu temporariamente a importação da carne bovina.
De acordo com um balanço da secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec), a União Européia foi a maior compradora da carne bovina em 2016. Foram 31,4 mil toneladas importadas, o que representou cerca de 172 milhões de dólares (R$ 533,2 milhões) em negócios, valor esse que representou 19,2% das negociações de Mato Grosso em relação ao produto específico.
Em relação a China, foram 25,1 mil toneladas, negócio que equivaleu a 79,2 milhões de dólares (R$ 245,5 milhões). O valor acumulado dessas transações com o país asiático correspondeu a 8,8% da carne levada para outros países.
A terceira nação no ranking é o Chile, que comprou 15,5 mil toneladas de carne em negócios que renderam 48,2 milhões de dólares (R$ 149 milhões) para o Estado. A fatia do vizinho sul-americano no saldo financeiro em relação ao item específico foi de 5,4% no ano passado.
Expectativa do setor
De acordo com Luciano Vaccari, diretor executivo da Associação do Criadores de Mato Grosso (Acrimat/MT), a situação que mais deixa Mato Grosso em alerta é em relação à China, já que toda a produção que estava no porto do país foi travada.
Apesar disso, ele explica que somente uma planta frigorífica – em Barra do Garças - está habilitada para negociar com o país e que todos ainda estão aguardando o andamento do caso.
“A suspensão da China é temporária, de apenas uma semana. Nesse meio tempo os compradores vão analisar o histórico de cada plantada e tomar algumas decisões baseadas em critérios técnicos. Em um primeiro momento parece negativo, mas nós precisamos esperar o que vai acontecer”, afirmou ao #rdnews.
Vaccari pontua também que o que está avaliado não é a qualidade da carne brasileira, que segundo ele é indiscutível, mas, sim, uma falha pontual no serviço de inspeção sanitária. “Nós devemos ficar felizes porque identificamos o problema por aqui mesmo. Isso mostra também como nós estamos tentando cuidar da nossa produção da melhor maneira possível”, finaliza.