Cuiabá, 23/10/2026

Sucesso nas redes não garante lucro com comidas virais: é preciso avaliar

Custos, aceitação do público e capacidade de produção devem orientar pequenos negócios na hora de apostar em novidades

Um alimento que viraliza nas redes sociais pode atrair clientes e impulsionar as vendas, mas a popularidade não garante lucro. Para pequenos negócios, incluir uma tendência no cardápio exige avaliar a demanda, calcular os custos e verificar se a produção cabe na rotina da empresa.

Divulgação/Assessoria Sebrae-MT

 

A empreendedora Ana Paula, de Sinop, conhece esse desafio. Mãe atípica, ela deixou a profissão de contadora há cerca de um ano para cuidar do filho e encontrou na produção de alimentos uma fonte de renda. Hoje, vende bolos, tortas, doces de festa e sanduíches naturais, principalmente para clientes que conheceu no dia a dia.

Depois de acompanhar a febre do Morango do Amor, ela começou a testar o Morango Cravejado. A experiência mostrou que uma receita popular na internet nem sempre funciona como o esperado. “Você vê uma coisa na internet, não é totalmente aquilo que eles falam. O marketing é bonito, é tudo lindo, mas vai testando para ver”, conta.

Ana Paula adaptou receitas e avaliou os resultados até chegar ao produto que comercializa. Já o X-bolo não teve a mesma aceitação: o custo de produção ficou mais alto e os clientes não demonstraram disposição para pagar o preço necessário.

Para a gestora estadual de Bebidas e Alimentos do Sebrae/MT, Beatriz Jardim, a criatividade ajuda a identificar oportunidades, mas o planejamento é essencial para viabilizar a novidade. “Isso envolve testar a receita, calcular o preço, preparar a equipe e definir os canais de venda”.

Antes do lançamento, o empreendedor precisa considerar os gastos com ingredientes, embalagens, mão de obra e taxas dos canais de venda. Também deve avaliar quanto o público aceita pagar e quanto sobra de cada venda para cobrir as demais despesas e gerar lucro.

Por isso, Beatriz recomenda começar com testes em pequena escala. “Assim é possível verificar a aceitação do produto, sua qualidade, o preço de venda e o impacto na rotina de produção”.

No caso do Morango Cravejado, Ana Paula sentiu o peso da alta no preço da fruta. Segundo ela, uma caixa com quatro bandejas chegou a custar R$ 80. Antes, em uma promoção, havia comprado duas caixas por R$ 50.

Observar os pedidos dos clientes e pesquisar nas redes sociais e nos aplicativos de entrega ajuda a identificar tendências. A decisão de apostar em uma delas, porém, deve considerar o perfil do público, a capacidade de manter a qualidade e a margem de lucro. “Deixar uma moda passar também é uma decisão estratégica”, ressalta Beatriz.

Ana Paula chegou a uma conclusão semelhante. “Não pode perder o timing, mas não adianta pegar tudo, você tem que analisar e evoluir”, afirma.

Como o interesse por um produto viral pode durar pouco, diversificar o cardápio ajuda a reduzir a dependência dessas vendas. A orientação de Beatriz é testar opções que aproveitem ingredientes, equipamentos e conhecimentos que o empreendedor já possui. Ana Paula segue esse caminho ao oferecer diferentes tipos de bolos, doces, tortas e sanduíches.

Depois dos primeiros testes, é importante acompanhar quantas pessoas demonstram interesse, quantas compram, como avaliam o produto e se a empresa consegue atender à demanda.

“Quem transforma a tendência em oportunidade entende o interesse do seu público, adapta o produto à identidade do negócio, entrega qualidade, acompanha os números e sabe a hora de mudar”, resume Beatriz. (Com assessoria do Sebrae-MT)