Logística é maior desafio do TRE; MT tem 171 locais de difícil acesso - veja
Ao todo, Estado possui 31 zonas eleitorais localizadas em zonas rurais e comunidades indígenas
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Diretor-geral do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, Mauro Diogo
O planejamento das eleições municipais deste ano, marcada para o dia 6 de outubro, teve início há dois anos e tem como um dos maiores desafios a logística, já que, das 57 zonas eleitorais de Mato Grosso, 31 estão localizadas em zonas rurais e comunidades indígenas e possuem uma dificuldade maior de acesso. Ao todo, são 171 seções de votação nesses locais mais remotos e algumas não contam com telefone nem internet, o que torna a eleição nessas áreas um verdadeiro desafio.
Zona eleitoral é a região geograficamente delimitada dentro de uma unidade da Federação, gerenciada por um cartório eleitoral, que centraliza e coordena os eleitores ali domiciliados. Pode ser composta por mais de um município ou por parte dele. Normalmente, segue a divisão das circunscrições judiciárias sob a jurisdição de um ou mais juízes da Justiça Estadual.
TRE-MT
Mato Grosso tem 171 seções em locais de difícil acesso
O diretor-geral do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), Mauro Diogo, conta que é montada uma verdadeira “operação de guerra” para garantir que todo eleitor possa exercer seu direito constitucional de escolher seus representantes.
“Tem local que precisa ir de aeronave, tem local que é helicóptero, que é barco, tem um grupo que tem todos esses apoios, inclusive, Funai, Energisa, para não acontecer justamente no dia da eleição ficar sem energia porque o funcionário da Energisa estará lá junto. Todas essas situações já foram mapeadas. Nessa eleição, a gente deve contar com 117 aparelhos de satélite exatamente para esses locais, como uma área indígena, que é distante”, explicou o diretor.
Mauro lembra de um episódio na eleição passada em que uma urna precisou ser substituída e foi necessário levar o novo equipamento de avião até o local de votação.
“Por exemplo, na eleição de 2022 teve que substituir uma urna, acho que foi lá de Lucas do Rio Verde, estava dando muito problema nas urnas, substituía, acabava a bateria, enfim, e a gente estava no centro integrado do Ciosp. Falamos para o secretário [de Segurança Pública] que a gente precisava de um avião naquele momento para levar a urna e ele falou 'beleza, daqui meia hora pode ir no aeroporto que vai estar à disposição'”, contou.
Arte: Rodinei Crescêncio/Rdnews
Transmissão dos votos
Além de todo o apoio das Forças Armadas, nos locais mapeados também deverá haver sempre uma urna de reserva para o caso de substituição, que poderá ser instalada pelos mesmos técnicos que fazem a transmissão dos votos via satélite.
Para transmitir os votos, o Tribunal Regional do Estado utiliza o sistema de Serviços Móveis de Comunicação Via Satélite (SMSATs), mas é preciso pensar em planos alternativos para o caso de tempo fechado no período das chuvas ou outra interferência que possa impedir o bom funcionamento do sistema de transmissão via satélite.
PageFlips: Locais de votação de difícil acesso em MT
Para a logística, o TRE possui técnicos responsáveis pela transmissão via satélite já treinados para operar os BGANs, cuja tecnologia permite dar segurança, transparência e agilidade ao envio dos dados das localidades remotas, incluindo aldeias indígenas e comunidades isoladas sem acesso à internet ou rede de telefonia. Com o sistema por satélite, é possível acelerar o processo da conferência de votos, já que a totalização dos resultados chegará no tempo real da apuração, antes do envio das urnas eletrônicas.
Para o pleito deste ano serão utilizadas cerca de 9 mil urnas para transmitir os votos de 2.469.414 eleitores, segundo dados das eleições de 2022. Pelo levantamento do TRE-MT, as mulheres são maioria do eleitorado mato-grossense, correspondendo a 51% do total.