Abilio rechaça aliança com MDB e desafia o PL: Me libera, tolera ou me expulsa
Prefeito de Cuiabá afirma que apoiar o MDB equivale a caminhar com o PT, desafia a direção nacional do PL e admite até ser expulso da legenda.
Emanoele Daiane
Prefeito de Cuiabá Abilio Brunini
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), subiu o tom contra a aliança firmada entre o Partido Liberal e o MDB em Mato Grosso e chegou a desafiar a direção nacional da legenda a puni-lo por infidelidade partidária. Em publicação nas redes sociais, afirmou que não apoiará o acordo e declarou que, para ele, caminhar com o MDB equivale a se aliar ao PT.
"Se meu partido em Mato Grosso juntar com o PT por fidelidade partidária, tenho que apoiar o PT? Não esperem isso de mim! Ou me libera, ou tolera, ou me expulsa. Com o PT e MDB eu não vou", escreveu o prefeito. O posicionamento foi reforçado horas depois pelo prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), que também repudiou a definição.
A aliança, costurada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, definiu o senador Wellington Fagundes como candidato ao Governo do Estado e os nomes de José Medeiros e Janaina Riva para as duas vagas ao Senado.
Até então, Abilio vinha tentando se manter neutro na disputa estadual, embora sempre tenha destacado a amizade de longa data com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que buscará a reeleição e terá Wellington como principal adversário.
Embora agora rejeite a aproximação, PL e MDB estiveram no mesmo palanque em Mato Grosso nas eleições de 2022, quando integraram a coligação que reelegeu Mauro Mendes (União Brasil).
Para justificar a posição, o prefeito lembrou as disputas municipais de 2024, quando o PL enfrentou candidatos do MDB em diversas cidades.
"Não estarei com o MDB. Não posso ser incoerente. O [Eduardo] Botelho, que foi meu oponente em Cuiabá e fala mal de mim e do [Jair] Bolsonaro, está no MDB", escreveu Abilio.
O liberal afirmou que a situação se repete em outras cidades administradas pelo PL, como Rondonópolis, onde Cláudio Ferreira derrotou o deputado estadual Thiago Silva (MDB), e Várzea Grande, onde Flávia Moretti venceu o então prefeito Kalil Baracat (MDB). Também citou Primavera do Leste, ao lembrar da disputa envolvendo o grupo de Léo Bortolin (MDB).
"Minha vice [Vânia Rosa, ex-Novo], que mudou de partido, critica o [Jair] Bolsonaro e me critica, foi para o MDB. Brigamos na última eleição e continuamos oponentes. Agora querem colocar todo mundo no mesmo ônibus e fazer de conta que somos amiguinhos. Não dá não", reclamou o prefeito da Capital, que desde o início se posicionou contra a aliança.