Marqueteiros preparam reta final no rádio e na TV: foco estará em posicionamento e pedido de voto
Candidatos devem explorar ainda a diferenciação entre os concorrentes; horário eleitoral gratuito encerra no dia 1º de outubro
A cinco programas eleitorais do fim do primeiro turno, as campanhas ao Governo e ao Senado em Mato Grosso começam a mudar a estratégia na televisão e no rádio. Se até aqui o foco esteve na apresentação dos candidatos, propostas e prestação de contas, a reta final deve ser marcada por pedido de voto, diferenciação entre os concorrentes e maior exposição dos posicionamentos de cada candidatura.
O horário eleitoral gratuito segue até 1º de outubro, três dias antes da votação. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. No caso do Governo, a disputa ainda carrega um componente histórico. Caso nenhum candidato alcance mais da metade dos votos válidos, Mato Grosso terá, pela primeira vez, uma eleição para governador decidida em segundo turno. Até hoje, todas as disputas estaduais foram definidas na primeira votação.
Montagem Annie Souza/Rdnews
Integrante da equipe de marketing de Otaviano Pivetta (Republicanos), Humberto Frederico afirma que a campanha apostou até aqui em propostas e na apresentação dos resultados da gestão dele e de Mauro Mendes (União). Para os últimos programas, a estratégia será intensificar a mobilização.
"Nós fizemos um programa eleitoral focado em propostas, mostrando para a população o que Pivetta e Mauro fizeram pelo Estado nos últimos anos e o que Pivetta pretende fazer nos próximos quatro anos. A reta final será de mobilização e pedido de voto ao eleitor", afirmou.
Responsável pela campanha de Wellington, Caco Mesquita foi o marqueteiro do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL)
Na campanha de Wellington Fagundes (PL), o marqueteiro Caco Mesquita fala em uma etapa de diferenciação. Segundo ele, a estratégia será mostrar a disposição do candidato para promover mudanças, mas também preservar ações que considera positivas.
"Essa reta final vai ser assim para a gente, a diferenciação dos candidatos e principalmente a demonstração da coragem necessária para mudar aquilo que não está certo ou que pode melhorar, por um lado, e manter aquilo, acelerar aquilo que está dando certo, que é correto", disse.
Já Lucas Pimenta, responsável pelo marketing da candidata Doutora Natasha (PSD), explica que a campanha da médica entra agora em uma fase de contraste direto com os adversários. Segundo ele, depois de apresentar a candidata, sua trajetória e propostas, o objetivo será mostrar por que o modelo defendido por Natasha seria diferente dos demais.
"A gente apresentou a Natasha esse tempo todo, apresentou as propostas da Natasha para o Estado, o modelo de Estado que ela pensa. Agora a gente vai mostrar e fazer esse contraste de que esse modelo de Estado que ela pensa é melhor do que aquele que os outros pensam", afirmou.
Pimenta diz que a campanha já trabalhou a imagem de Natasha como médica, professora, servidora pública, mãe e mulher, além de propostas para áreas como segurança, violência contra a mulher, saúde, educação e economia. "Agora a gente vai mostrar por que as propostas dela e ela são melhores do que os adversários", completou.
Senado
Na corrida pelas duas vagas ao Senado, a estratégia também será de reforço das marcas que cada candidatura tentou construir ao longo da propaganda.
Responsável pelo marketing do senador Carlos Fávaro (PSD), Pedro Pinto Oliveira afirma que os programas do senador foram concentrados na prestação de contas das ações realizadas durante o mandato e à frente do Ministério da Agricultura.
Reprodução
Pedro Pinto Oliveira coleciona campanhas eleitorais vitoriosas em Mato Grosso
Segundo ele, a campanha destacou obras e ações como as 44 mil moradias do Minha Casa Minha Vida, a duplicação da BR-163, a pavimentação da BR-158, o Hospital Júlio Müller e a atuação da Embrapa na Baixada Cuiabana.
Para um eventual novo mandato, a propaganda deverá reforçar propostas como a implantação do Hospital do Coração em Cuiabá, a criação de seis novos Institutos Federais e a expansão do Odontomóvel para os municípios.
Ele também cita como pontos que serão reforçados na reta final as posições de Fávaro sobre o fim da escala 6x1, o projeto relacionado às bets e ao chamado "Tigrinho" e a defesa da abertura de processos de impeachment contra ministros do STF que, segundo o candidato à reeleição, tenham cometido irregularidades.
Na campanha de Pedro Taques (PSB), o responsável pelo marketing, Severino Neto, resume a estratégia com uma comparação entre recursos e disposição para o enfrentamento.
"Eu acho que a campanha até aqui é uma campanha do tostão contra o milhão. A gente faz uma campanha muito enxuta, mas ao mesmo tempo é uma campanha muito verdadeira, uma campanha que fala a verdade, doa quem doer", destacou.
Para os últimos programas, Neto promete manter a linha adotada até agora, com críticas e posicionamentos mais incisivos. "A gente pode esperar isso pra essa reta final, continuar falando a verdade, continuar botando o dedo na ferida, sem medo, com coragem e com a perspectiva sempre de justiça", disse.
Já a suplente de senadora e candidata Margareth Buzetti (PP) também aposta em uma reta final voltada à prestação de contas e à apresentação de propostas. A estratégia, segundo ela, será concentrada no plano "Nossas Vidas", dividido nos eixos proteger, cuidar e fortalecer.
"Talvez eu tenha trabalhado muito e comunicado pouco. E a campanha eleitoral também é uma oportunidade para prestar contas, mostrar o que eu fiz e, principalmente, apresentar o que pretendo fazer se voltar ao Senado", afirmou a empresária, que tem em seu marketing o publicitário Gustavo Vandoni.
Gilberto Leite
Gustavo Vandoni é o marqueteiro responável pela campanha de Margareth Buzetti
Margareth diz que pretende aproveitar os últimos espaços para reforçar propostas e pedir diretamente o voto do eleitor. "Podem esperar de mim uma campanha muito propositiva, mas também muito presente. Vou aproveitar cada espaço para prestar contas, apresentar propostas e pedir o voto", declarou.
A propaganda eleitoral gratuita começou em 28 de agosto. Em eventual segundo turno para o Governo, o horário eleitoral será retomado entre 9 e 23 de outubro, com a votação marcada para 25 de outubro.