Cuiabá, 21/09/2026

Sindipetróleo acusa candidatos de usar alta dos combustíveis com viés eleitoreiro e defende postos

Entidade afirma que postos apenas repassam custos da cadeia e defende que eventual fiscalização sobre preços alcance distribuidoras, refinarias, importadores e usinas.

Ilustração

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Estado de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT) reagiu às críticas sobre o aumento dos preços dos combustíveis nos postos e repudiou o que classifica como uso eleitoreiro de um problema estrutural e de mercado.

“Causa profunda indignação a atitude oportunista de determinados candidatos a cargos eletivos que, em pleno período eleitoral, utilizam a alta dos combustíveis como palanque para demagogia. Esses atores exigem apurações voltadas exclusivamente aos postos de combustíveis, buscando transferir a culpa e criar um ‘bode expiatório’ perante a opinião pública”, afirma o sindicato.

O posicionamento não menciona o nome de nenhum político, mas ocorre após o senador Carlos Fávaro revelar que acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que o órgão verifique a formação dos preços dos combustíveis cobrados nos postos de Mato Grosso.

Segundo Fávaro, o objetivo é identificar se os reajustes possuem justificativa econômica ou se existem indícios de combinação de preços e outras práticas que possam prejudicar a livre concorrência. O Cade é responsável por investigar possíveis infrações à ordem econômica, como formação de cartel e adoção de condutas coordenadas entre empresas.

O Sindipetróleo, por sua vez, argumenta que, nas últimas semanas, o setor vem enfrentando impactos decorrentes do cenário macroeconômico global e nacional.

O sindicato cita como exemplos a alta do barril de petróleo no mercado internacional, o encerramento da safra de cana-de-açúcar no Sudeste, o aumento do percentual obrigatório de etanol na gasolina e a redução das importações de óleo diesel.

“Como consequência direta dessa conjuntura, a rede de postos revendedores de Mato Grosso vem sofrendo com contínuos aumentos repassados pelas distribuidoras, além de episódios graves de contingenciamento de pedidos, sobretudo no caso do óleo diesel, o que coloca em risco o abastecimento regular do Estado”, alerta.

O Sindipetróleo-MT ressalta ainda que os postos de combustíveis não são formadores de preços, mas repassadores dos custos estabelecidos nas etapas anteriores da cadeia, composta por usinas, refinarias, importadores e distribuidoras. Por isso, afirma não ser contrário à fiscalização, desde que ela se estenda a toda a cadeia.

“Usar a revenda varejista como alvo fácil para autopromoção política é uma manobra desonesta que desinforma a sociedade e ignora os reais gargalos do setor”, afirma o sindicato.