Cuiabá e outros clubes divulgam nota repudiando termos da Libra - entenda
O Dourado foi um dos primeiros times a divulgar o comunicado repudiando os termos da criação da Libra
Cuiabá e outros clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro divulgaram nota repudiando termos da criação da Liga do Futebol Brasileiro (Libra). O assunto tem se intensificado ao longo dos últimos dias, após oito times assinarem a proposta de criação, isso porque é preciso o consenso dos 40 clubes das duas divisões - o que não aconteceu.
AssCom Dourado
Nessa sexta (06), houve uma reunião entre as equipes que não assinaram a Libra. Cuiabá foi um dos primeiros times da Série A a divulgar o comunicado repudiando os percentuais de divisão de receitas para adesão à proposta criada pelos grandes clubes do futebol brasileiro - Corinthians, Red Bull Bragantino, Flamengo, Palmeiras, Santos e São Paulo, além de Ponte Preta e Cruzeiro.
Essas equipes entraram em acordo para que a divisão das receitas seja feita da seguinte forma: 40% repartidos de forma igualitária, 30% variável por performance e 30% variável por engajamento e audiência.
Por outro lado, o Cuiabá e outros 26 clubes não concordam com a proposta. Segundo eles, a receita deve ser dividida em 50% repartidos de forma igualitária, 25% por performance e 25% por engajamento.
Confira a carta divulgada pelos clubes
Clubes das séries A e B discutem contraproposta para criação da Liga
A maioria dos clubes de futebol integrantes das séries A e B do Campeonato Brasileiro segue em seu esforço pela criação da Liga de Clubes e, com esse objetivo, se reuniu na tarde desta sexta-feira para discutir os critérios que nortearão, em bases sustentáveis e justas, o equilíbrio de forças no futuro.
Entre os assuntos debatidos, o mais relevante foi a divisão de receitas de forma que contribua de fato para o aprimoramento da competição, tornando menos desiguais as condições de competitividade atuais.
Os termos aceitos em São Paulo por outros 6 clubes perpetuam o abismo que existe hoje, ao manterem a parte igualitária das receitas em 40%, enquanto nos campeonatos mais bem sucedidos este percentual pode chegar a 68% somando todos os direitos domésticos, internacionais e de marketing, caso da Premier League, por exemplo.
Não é aceitável que haja clubes ganhando 6 vezes mais do que outros, enquanto nas melhores Ligas do mundo essa diferença não ultrapassa 3,5 vezes.
Outro ponto a ser aprimorado é a adoção de premissas que não privilegiem pilares de difícil aferição, em especial ao que tange a engajamento. Tais critérios, na visão da maioria dos clubes que participaram da reunião, apenas perpetuam a posição de superioridade de alguns sobre outros, não dando a oportunidade de maior equilíbrio dos campeonatos.
A criação da Liga entre os 40 clubes será a oportunidade de se mudar efetivamente o futebol brasileiro e esse objetivo não pode se subordinar a interesses individuais de alguns, petrificados há décadas na superioridade de recursos. Sabemos que não seria justo buscar igualdade total de receitas, mas sim equanimidade e melhor distribuição.
O futebol brasileiro não avançará sem que haja um consenso entre os 40 clubes das séries A e B de que a justa distribuição de receitas gerará maiores oportunidades na disputa.