Cuiabá, 24/10/2026

Cuiabano Felipe Lima celebra 10 anos de instituto e prevê expansão de projeto social em Cuiabá

Iniciativa oferece aulas gratuitas de natação para 200 crianças e adolescentes e planeja abrir novo polo na Arena Pantanal para ampliar atendimento

O nadador olímpico Felipe Lima retorna a Cuiabá para celebrar os dez anos do Instituto Felipe Lima, projeto social criado em 2016 para promover inclusão por meio da natação e dos esportes aquáticos. Atualmente, a iniciativa atende gratuitamente 200 crianças e adolescentes, distribuídos entre dois polos na Capital, e planeja ampliar a oferta para 300 vagas com a abertura de uma nova unidade no entorno da Arena Pantanal.

A comemoração dos dez anos será realizada na próxima quarta-feira (28), no Cine Teatro Cuiabá. O evento marca uma década de atuação do instituto, que nasceu com o propósito de retribuir à comunidade as oportunidades proporcionadas pelo esporte ao atleta, que representou o Brasil em Jogos Olímpicos e conquistou medalhas em campeonatos mundiais.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

“Nosso principal objetivo é retornar o que o esporte me trouxe, me proporcionou. Então, colocar o instituto para a comunidade, colocando a natação como primeiro esporte, para a evolução dessa dedicação dos alunos, dessa disciplina, é fundamental e é o nosso propósito”, afirmou Felipe em entrevista especial ao #rdnews.

O trabalho desenvolvido pelo instituto vai além do aprendizado da modalidade, quando uma das prioridades é a segurança aquática, especialmente em Mato Grosso, estado cercado por rios e lagos. Segundo Felipe, algumas crianças atendidas pelo projeto nunca haviam tido a oportunidade de entrar em uma piscina antes de participar das aulas.

Atualmente, o instituto atende crianças e adolescentes de 6 a 17 anos no contraturno escolar. As atividades são realizadas na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e no Clube Monte Líbano, com 100 vagas em cada unidade. Os alunos são divididos em turmas por faixa etária, com 25 participantes em cada grupo, e recebem acompanhamento de professores de Educação Física e estagiários.

“Tem crianças no nosso projeto que estão tendo a primeira oportunidade de entrar na água. A gente se baseia na segurança aquática. Ainda não trabalhamos com alta performance, com preparação para competições, mas queremos dar a oportunidade de essas crianças terem a vivência aquática e a segurança”, explicou.

A procura pelas vagas é um dos principais desafios para a expansão. Felipe relatou que, no primeiro ano de inscrições do polo da UFMT, as vagas foram preenchidas em menos de dez minutos, deixando aproximadamente mil crianças na lista de espera. A demanda motivou a busca por novos espaços para atender outras regiões de Cuiabá.

A próxima etapa é a implantação de um polo no Complexo Aquático Arena Pantanal, que deverá acrescentar mais 100 vagas ao projeto. De acordo com o nadador, a iniciativa está em fase final de organização, com ajustes de horários para a abertura das inscrições. A previsão apresentada por ele é iniciar as atividades ainda em 2026, com retomada no começo de 2027 após o período de férias escolares.

“Sabemos que essas 300 vagas ainda são poucas para o que a comunidade necessita, mas estamos trabalhando para conseguir incentivos, tanto do governo quanto das empresas, para crescer e dar mais oportunidades para as crianças e adolescentes”, destacou.

O financiamento das atividades ocorre por diferentes mecanismos. O polo do Clube Monte Líbano é mantido por meio de emenda parlamentar, enquanto o projeto desenvolvido na UFMT conta com recursos da Lei de Incentivo ao Esporte. Nesse modelo, empresas tributadas pelo lucro real podem destinar parte do imposto devido a iniciativas esportivas aprovadas, conforme as regras da legislação.

Além da aprendizagem na piscina, o instituto busca levar para a rotina dos participantes valores como disciplina, dedicação e responsabilidade. Felipe afirma que procura transmitir à equipe de profissionais os ensinamentos adquiridos durante a carreira esportiva para que sejam incorporados às atividades e contribuam também para a vida escolar e familiar dos alunos.

“O esporte me trouxe essa abertura de portas, de conhecer outros países, conhecer outras pessoas e a disciplina. Isso é muito importante. Queremos que eles evoluam tanto pessoalmente quanto mentalmente, levando essa vivência para outras partes da vida”, disse.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Projeções para o futuro

A expansão para a Arena Pantanal faz parte de um planejamento mais amplo. Felipe pretende levar o instituto para outros municípios de Mato Grosso e, posteriormente, ampliar a atuação para a região Centro-Oeste. Atualmente, ele mora em Brasília e também trabalha como educador físico e nutricionista, além de coordenar as atividades do projeto.

O ex-nadador afirmou ainda que pretende aproximar a área da saúde das ações do instituto, ampliando o conhecimento oferecido às crianças, aos adolescentes e às famílias atendidas.

A celebração dos dez anos, segundo ele, será uma oportunidade de apresentar os resultados alcançados e os próximos objetivos da iniciativa. O projeto, que começou com a meta de atender 100 crianças, chegou ao dobro desse número e agora busca ampliar o acesso à natação gratuita.

“É muita emoção, é uma evolução muito grande, muito trabalho e dedicação. Esse projeto vem para concretizar tudo o que a gente construiu. Queremos mostrar o quanto evoluímos desde o início até hoje e o que pretendemos fazer nos próximos dez anos”, concluiu Felipe Lima.