Cuiabá, 03/11/2026

Execução, conheça o time de futebol feminino formado por advogadas de MT

A equipe está em busca de patrocínios para ter sucesso nos campeonatos futuros

Você já ouviu falar sobre o Execução Futebol Clube? Criado em 2020, o Execução é um time feminino de Cuiabá formado por 25 advogadas de Mato Grosso e que atualmente busca forças dentro e fora de campo para continuar representando o estado nos torneios estaduais e nacionais. No momento, a equipe se prepara para disputar a principal competição da temporada, que é o Campeonato Nacional da ALIFA – Associação Liga de Advogados e Advogadas do Brasil, agendado para acontecer de 9 a 15 de novembro, em Recife, no Pernambuco.

Rodinei Crescêncio

O #rdnews foi conhecer de perto a história e a realidade do clube que é formado por mulheres determinadas e com muita resistência naquilo que praticam. Ninguém recebe salário para ser atleta do time, pois todas integram o elenco por amor ao esporte, conforme relataram à reportagem. Atualmente o Execução está em busca de patrocínios para ter sucesso nos campeonatos futuros.

Uma das representantes da equipe, a advogada Kymberly Santos Rocha, de 28 anos, falou um pouco sobre a construção do elenco e a relação entre as participantes no dia a dia. A atleta está à frente do clube desde a criação do clube e hoje celebra a evolução do clube.

"Estou à frente do time desde a fundação. Além de sermos amigas e termos um vínculo afetivo, nosso objetivo aqui é participar de campeonatos estaduais e nacionais. A equipe foi fundada por advogadas que faziam parte da Seleção de Advogadas de Mato Grosso. O nosso principal intuito é alcançar os melhores resultados em equipe, dando o seu melhor em campo, superando obstáculos para chegar a tão desejada vitória", disse a zagueira.

Dificuldades

Atualmente, o Execução está se preparando para as próximas competições na temporada. Em outubro, a equipe disputa o Campeonato Estadual, que é promovido pela Ordem de Advogados de Mato-Grosso (OAB-MT). No mês seguinte, as advogadas mato-grossenses viajam até o Recife para a disputa do Alifa. Em 2021, ela ficaram em 3º lugar no campeonato - a melhor conquista da história do time até o momento.

Por outro lado, a pouca visibilidade e a falta de patrocínios acabam prejudicando os atletas na hora de disputar uma competição. Ao #rdnews, a doutora Laila Allemand, 38, relatou as principais dificuldades da equipe e explicou como fazem para custear as despesas. A atleta chegou a comparar times masculinos, os quais têm mais chances de receber apoio financeiro.

“Passamos todos os tipos de dificuldades que as mulheres passam no esporte”

Laila Allemand

"Passamos todos os tipos de dificuldades que as mulheres passam no esporte, desde a ausência de patrocínio, falta de subsídios para treinamentos, equipamentos e até para custear as despesas das viagens. No ano passado conseguimos patrocínio e ficamos em terceiro lugar no campeonato nacional. Para se ter uma ideia, a OAB-MT mandou uns sete times masculinos e nenhum deles foi finalista, e nós conseguimos pódio com pouco apoio. É um custo muito alto e não conseguimos cobrir tudo", relatou a goleira do time.

Rodinei Crescêncio

Laila, à equerda, e Kymberly, à direita, falaram sobre a história do time

O elenco das advogadas realiza os treinos no campo de futebol do Condomínio Florais do Valle, em Cuiabá. O lugar é concedido por uma atleta que faz parte do time e reside no local. Quando não há data disponível no condomínio, os trabalhos precisam ser realizados em um campo alugado, onde o valor do aluguel gira em torno de R$ 300,00, além da despesa com o técnico, que é pago separadamente. Todos os gastos são divididos entre as atletas no final de cada treino.

"A gente faz tudo isso aqui por amor, porque todos trabalham o dia todo e tiram um tempinho para treinar a noite. Poderíamos muito bem ficar em casa descansando, comendo, assistindo a Netflix, mas optamos reservar esse tempo para treinar e fazer o que gostamos. Nós rateamos entre nós e buscamos alguns patrocinadores que nos pagam mensal um valor. Tem os escritórios, como por exemplo a Laila, que é um dos nossos patrocinadores que sempre estão nos apoiando. Mas no geral a gente acaba arcando com o dinheiro do nosso bolso", explicou Kymberly.

Karen Belmont, 32 anos, afirmou que o Execução é uma válvula de escape em sua vida, principalmente para ela que é advogada e leva uma vida de forma bem agitada. Correr, suar e estar com os colegas no final do dia é muito gratificante para a atleta, que está há um ano no time e disse não abrir mão do lazer dentro do futebol, o qual ela pratica há 25 anos.

"Se eu ficar um mês sem jogar futebol já sinto uma grande diferença no meu humor, peso, esteticamente falando. Então isso aqui é um lazer que não abro mão", frisou Karen.

De olho na disputa do Alifa, as advogadas seguem se preparando e aguardam patrocínios para pagarem as altas despesas com a viagem, que variam em torno de R$ 15 a 20 mil, conforme estimado. O campeonato nacional acontece justamente no período de início da alta temporada na região Nordeste, quando as passagens aéreas e a rede hoteleira estão com preços mais caros.

“Temos ainda em torno de R$ 15 a 20 mil de despesas para pagar”

Kymberly Rocha

"Estamos treinando com foco total para ver se conseguimos o segundo ou o primeiro lugar no campeonato neste ano. Estamos estimuladas para competir. Conseguimos alguns patrocínios até o momento e já pagamos a metade do hotel, mas ainda falta comprar passagens de atletas. Para complementar, nós estamos rifando um da Damásio para conseguirmos angariar mais valores. Temos ainda em torno de R$ 15 a 20 mil de despesas para pagar".

Quem quiser patrocinar ou conhecer melhor a história do clube pode entrar em contato pelo telefone (66) 99693-5986. O dia a dia do elenco também pode ser acompanhado através do instagram @execucaomt.

"Estamos muito otimistas para as competições, trabalhando de forma centralizada aos regulamentos do jogos, treinando intensamente de forma personalizada para assim atingir alto desempenho e conquistar nosso objetivo", completou a advogada Kymberly.