Cuiabá, 30/10/2026

Há 13 anos em Cuiabá, líder haitiano vive expectativa para Haiti x Brasil: Emoção grande

Duckson Jacques afirma que o confronto desta sexta (19) representa o encontro de duas nações que fazem parte da história e do coração dos haitianos que vivem em MT

A comunidade haitiana da região metropolitana de Cuiabá se prepara para viver uma noite especial nesta sexta-feira (19), quando Haiti e Brasil se enfrentam pela 2ª rodada do Grupo C da Copa do Mundo 2026. O confronto representa um momento histórico para milhares de haitianos que vivem longe de seu país de origem, mas mantêm vivas as raízes culturais e o amor pela seleção nacional.

Entre eles está Duckson Jacques, haitiano que mora há 13 anos na capital mato-grossense. Presidente da Organização de Suporte das Atividades dos Migrantes no Brasil (Osamb), entidade que atua no acolhimento e fortalecimento das comunidades migrantes em Mato Grosso, ele acompanha com entusiasmo a inédita participação haitiana no torneio mundial.

“Há 52 anos o Haiti não participava de uma Copa. É uma emoção muito grande para nós. O Brasil sempre foi o coração do Haiti quando se fala em futebol, mas desta vez teremos Haiti e Brasil juntos em campo. Independentemente de quem vencer, nós não vamos sair perdendo”, afirmou em entrevista ao #rdnews.

Duckson chegou ao Brasil em janeiro de 2013, entrando pelo Acre, e se estabeleceu em Cuiabá poucos meses depois. Segundo ele, o objetivo inicial era trabalhar, estudar e construir uma nova vida. As dificuldades enfrentadas nos primeiros anos, no entanto, motivaram a criação de uma entidade voltada ao apoio de imigrantes.

“Nós passamos por muitas dificuldades quando chegamos. Foi daí que surgiu a ideia de criar uma organização para ajudar outras pessoas que estavam vivendo a mesma situação”, relembrou.

Atualmente, a Osamb presta orientação e apoio a migrantes de diversas nacionalidades, mesmo sem possuir uma sede própria. O trabalho é realizado por meio de atendimentos, encaminhamentos e suporte comunitário.

A expectativa para o jogo mobilizou os haitianos que vivem na região metropolitana de Cuiabá. A partir das conversas em grupos de WhatsApp, surgiu a ideia de promover um grande encontro para acompanhar a partida em clima de confraternização.

O evento será realizado a partir das 18h, no Cine Teatro Cuiabá, reunindo haitianos, brasileiros e simpatizantes da cultura do país caribenho. Além da transmissão do jogo, a programação contará com apresentações culturais, música e gastronomia típica haitiana.

“Não é apenas o jogo do Haiti, mas também o jogo do Brasil. Nós sempre paramos tudo para assistir à seleção brasileira. Agora teremos as duas seleções que estão no nosso coração jogando juntas. É um momento muito especial”, destacou Duckson.

Segundo ele, o encontro também será uma oportunidade para aproximar culturas e combater preconceitos por meio do conhecimento e da convivência.

“A cultura é uma ferramenta importante. Muitas vezes o desconhecimento gera medo. Quando as pessoas conhecem a cultura umas das outras, elas se aproximam e criam respeito”, afirmou.

Duckson estima que atualmente entre 3 mil e 4 mil haitianos vivam em Cuiabá e Várzea Grande. Muitos chegaram ao estado na última década em busca de oportunidades de trabalho e estudo.

Ele destaca que boa parte da comunidade conquistou estabilidade ao longo dos anos, ingressando no mercado de trabalho e no ensino superior. O próprio Duckson cursa Direito, embora tenha precisado interromper temporariamente os estudos devido a dificuldades financeiras. Atualmente, trabalha na construção civil, atuando principalmente como azulejista.

Apesar dos desafios, ele acredita que a trajetória dos haitianos em Mato Grosso é marcada pela perseverança e pela busca constante por melhores condições de vida.

Torcida dividida

Para Duckson, o confronto entre Haiti e Brasil traz um sentimento raro, onde é meio que impossível escolher apenas um lado. “O Brasil e o Haiti são dois países que estão no nosso coração. Se o Brasil ganhar, eu ganho. Se o Haiti ganhar, eu ganho também. É uma festa para todos nós”, resumiu.

Ao final, ele deixou uma mensagem de apoio às duas seleções: “Vamos que vamos, Brasil e Haiti. Quero que os dois cheguem bem longe na Copa. Quem sabe um em primeiro e o outro em segundo”.

Haiti x Brasil

Dentro de campo, a Seleção Brasileira chega para o confronto em busca da primeira vitória na competição. O Brasil enfrenta o Haiti na próxima sexta-feira, às 21h30 (de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, nos Estados Unidos.

A equipe brasileira ocupa atualmente a terceira posição do grupo, com um ponto conquistado. A liderança é da Escócia, que soma três pontos. Marrocos aparece em segundo lugar, também com um ponto, mas leva vantagem sobre a seleção brasileira no critério de desempate por ter recebido menos cartões amarelos.

Na estreia, o Brasil empatou em 1 a 1 com Marrocos e agora precisa de um bom resultado para melhorar sua situação na tabela e seguir firme na disputa por uma vaga na próxima fase.