Cuiabá, 03/11/2026

Jogador diz ter sido ameaçado pelo vice do Cuiabá: sei onde você mora ouça áudio

A diretoria do Cuiabá Esporte Clube vive dias agitados desde a sua estreia na Série A do Campeonato Brasileiro. Além das polêmicas que surgiram após a demissão do técnico Alberto Valentim, agora o time tem mais um problema pela frente. Em ação na Justiça, o zagueiro Luiz Gustavo afirma ter sofrido ameaças e assédio moral do vice-presidente Cristiano Dresch. A informação foi divulgada inicialmente pelo blog da jornalista Gabriela Moreira, da Rede Globo.

Arte/Rdnews

Conforme apurado, o jogador cobra R$ 2,5 milhões do clube, valores referentes a verbas trabalhistas e outras obrigações. A ameaça que teria sido feita pelo dirigente está gravada, e o áudio foi anexado ao processo na Justiça. O ex-vascaíno Luiz Gustavo, não teve seu contrato renovado com o time após sofrer lesão no ano passado.

No último dia 21, o atleta teria conversado por telefone com Cristiano Dresch. O contato foi feito por intermédio de um funcionário do Cuiabá. A ligação tinha por finalidade tratar assuntos relacionados a um acordo entre o jogador e o departamento de Recursos Humanos do Dourado.

No áudio, o vice-presidente do Cuiabá chama Luiz Gustavo de “jogadorzinho de merda”, “seu quebrado”, “seu bosta”, “vagabundo” e ainda diz: “eu sei onde você mora”, “você tá na minha terra”, “abre essa boca sua de novo aí pra cê ver, seu vagabundo”.

Logo após dialogar com Cristiano, o jogador registrou a ameaça na 1ª Delegacia de Polícia Civil de Cuiabá, conforme documentos anexados aos autos do processo.

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Veja vídeo divulgado pelo GE

Outro lado

Procurado pela reportagem do #rdnews, Cristiano Dresch lamentou mais um problema envolvendo o seu clube-empresa. O dirigente reconheceu que não foi a forma certa de falar com o jogador, mas afirmou que o mesmo já vinha dando problemas à diretoria do time há quase quatro meses.

“Rapaz, o trem está vindo tudo junto. Esse jogador é o seguinte, ele já estava no Cuiabá há quatro meses causando problemas, ele quase bateu em uma médica [prestadora de serviço do Cuiabá] quase bateu em um supervisor nosso, ele já tratou mau nossas cozinheiras, fisioterapeutas. Ele já tratou quase uns 10 funcionários dessa forma. Infelizmente ele fez essa gravação ai de caso pensado, aconteceu depois de mais um ato de indisciplina dentro do clube, onde começou a falar mal do clube dentro da fisioterapia, falando que a cada dia era um jogador que se machucava, infelizmente não foram as palavras certas que eu falei pra ele, mas eu não tive intenção de ameaçar e muito menos querer assediar ele. Infelizmente o cara não é flor que se cheira”, explicou.

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Já em nota, o Cuiabá voltou a destacar que Luiz Gustavo cometeu diversos atos de indisciplina e teve pelo menos três discussões acaloradas com funcionários. Segundo o clube, um dos episódios de violência e insubordinação ocorreu em janeiro deste ano. Após tentar levar documentos de seu prontuário que deveriam permanecer no clube, o jogador quis rasgar o exame periódico, tentou tirar o laudo à força da mão da médica Lívia Borges de Souza, xingou a profissional e saiu chutando a porta da sala.

A assessoria do time enviou, também, a cópia de uma multa que o atleta teria levado, no valor de R$ 500, por se recusar a tirar os brincos durante as sessões de fisioterapia.

Leia a íntegra da nota do Cuiabá

A respeito do atleta Luiz Gustavo, o Cuiabá Esporte Clube e o vice-presidente Cristiano Dresch vêm a público esclarecer os seguintes pontos:

1)Desde o início do seu contrato, o atleta Luiz Gustavo cometeu diversos atos de indisciplina e teve pelo menos três discussões acaloradas com funcionários, membros da comissão técnica e diretoria do clube;

2)Um dos episódio de violência e insubordinação ocorreu em 25.01.21. Após tentar levar documentos de seu prontuário que deveriam permanecer no clube, o jogador quis rasgar o exame periódico, tentou tirar o laudo à força da mão da médica Lívia Borges de Souza, xingou a profissional e saiu chutando a porta da sala. Após ser contido pelo então supervisor Daniel Freitas, falou em tom de ameaça ao superior: “se você quiser me ver mais bravo do que estou, não chega perto de mim”; tanto a médica como o ex-supervisor do clube estão à disposição para corroborar os fatos descritos;

3)A conduta antiprofissional e inadequada do atleta pode ser ratificada também por vários de seus ex-companheiros e ex-superiores no clube e resultou em multa por infração disciplinar, conforme documento anexo;

4) Após ver seu clube chamado inúmeras vezes pelo jogador de “time de merda” e “time pequeno”, depois de 12 anos de sacrifício para conquistar uma vaga na elite do futebol brasileiro, Cristiano Dresch confirma que teve uma conversa ríspida com Luiz Gustavo. O dirigente, no entanto, afirma que jamais teve a intenção de ameaçá-lo ou assediá-lo e justifica sua atitude como um ato isolado de defesa à honra da instituição. Pouco antes da discussão, Luiz Gustavo havia reclamado na sala de fisioterapia, na presença de 12 pessoas, que havia “muita gente falsa” no clube e incitou seus companheiros a não seguirem os protocolos médicos;

5)Sobre a ação na Justiça, o Cuiabá reitera que quitou todas as suas obrigações contratuais, como é praxe desde sua fundação, e que rebaterá todas as acusações na Justiça.

Entenda a situação do atleta

O jogador Luiz Gustavo foi contratado pelo Cuiabá em 2019, depois de encerrar vínculo com o Vasco. O jogador assinou com o Dourado em setembro de 2019, com contrato válido por quatro meses. Três meses depois, ele sofreu uma lesão, em jogo contra o Luverdense, quando precisou ser operado no joelho esquerdo.

Conforme apurou o blog da jornalista, durante o período de recuperação, Luiz Gustavo passou a receber pelo INSS, com rendimento que caiu para cerca de 10% do que recebia antes. Os advogados do atleta afirmam no processo que o Cuiabá descumpriu a lei ao não manter o vínculo com o jogador, com o retorno das suas atividades no clube, encerrado o período de vigência do afastamento pelo INSS. Eles também questionam o fato de o Cuiabá não ter seguro por acidente de trabalho, conforme determina a Lei Pelé (9.615/98).

Conforme o processo, após cinco notificações extrajudiciais enviadas pelos representantes de Luiz Gustavo, o Cuiabá ofereceu um acordo de indenização, no valor de R$ 400 mil, mas a quantia não foi aceita pelo jogador.