Cuiabá, 02/11/2026

Jogo do Cuiabá está na mira de investigação sobre manipulação na Série A

As partidas Cuiabá x Palmeiras, pelo Brasileirão, e Luverdense x Operário-VG, pelo Mato-grossense, estão sob investigações

A Operação Penalidade Máxima, do Ministério Público de Goiás, avançou nessa terça (18) e identificou suspeitas de manipulação de resultados em seis jogos da Série A de 2022 e também em campeonatos estaduais. Entre as partidas investigadas, estão Cuiabá x Palmeiras, pelo Brasileirão, e Luverdense x Operário-VG, pelo Campeonato Mato-grossense. A operação abrange seis estados e 16 cidades.

Ao todo, nove jogadores foram alvos de mandados de busca e apreensão. Quatro deles são os zagueiros Victor Ramos, da Chapecoense, e Kevin Lomónaco, do Bragantino, o lateral-esquerdo Igor Cariús, ex-Cuiabá e hoje no Sport, e o meia Gabriel Tota, ex-Juventude e atualmente no Ypiranga-RS. Os nomes dos atletas foram revelados em reportagem do G1.

AssCom Dourado

Conforme o MP-GO, os atletas envolvidos receberiam entre R$ 70 mil e R$ 100 mil por pênaltis cometidos, escanteios e cartões amarelos e vermelhos nas partidas.  Os nomes dos suspeitos não foram revelados em obediência à Lei de Abuso de Autoridades.

A partida entre Cuiabá e Palmeiras, disputada no dia 05 de novembro de 2022, na Arena Pantanal, está sendo investigada porque supostamente um  jogador do Dourado foi assediado para tomar cartão amarelo, o que realmente aconteceu, quando Marllon e André Luis receberam amarelo. O jogo terminou em 1 a 1

Já no jogo entre Luverdense e Operário, disputado  no dia 11 de fevereiro deste ano, a suspeita se trata de manipulação de escanteios. Em nota, o Verdão do Norte afirmou que tomou conhecimento sobre a abertura de um processo de investigação sobre a possibilidade de manipulação de resultados na partida. No entanto, a equipe destacou que não fez parte do esquema criminoso.

O Cuiabá ainda não se posicioanou sobre o assunto. A reportagem não conseguiu contato com o Operário.

Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão, sendo 1 em Goiás (um jogador de futebol em Goianira), 3 no Rio Grande do Sul, 3 em Santa Catarina, 1 no Rio de Janeiro, 2 em Pernambuco e 10 em São Paulo. Também foram cumpridos 3 mandados de prisão em São Paulo (nenhum contra jogador).

Nos locais das prisões foram encontradas e apreendidas duas armas de fogo e granadas de efeito moral. Os suspeitos terão de explicar como conseguiram e como acessaram o material, por serem de uso restrito.

Penalidade Máxima

Deflagrada em fevereiro deste ano, a primeira fase da Operação Penalidade Máxima ofereceu denúncia contra 14 pessoas, entre jogadores corrompidos e apostadores, por aliciamentos e intermediação de fraudes nos resultados de jogos.

Ao todo, oito jogadores de diferentes clubes foram denunciados pelo Ministério Público e viraram réus por participarem do suposto esquema. 

São eles: Romário (ex-Vila Nova), Joseph (Tombense), Mateusinho (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Cuiabá), Gabriel Domingos (Vila Nova), Allan Godói (Sampaio Corrêa), André Queixo (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Ituano), Ygor Catatau (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Sepahan, do Irã) e Paulo Sérgio (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Operário-PR).

Jogos investigados do Campeonato Brasileiro da Série A de 2022

Santos x Avaí (5/11) - jogador do Santos foi assediado para tomar um cartão amarelo

Bragantino x América Mineiro (5/11) - atleta do Bragantino foi abordado para tomar um cartão amarelo;

Goiás x Juventude (5/11) - dois jogadores do Juventude foram assediados para tomar cartões amarelos;

Cuiabá x Palmeiras (5/11) - jogador do Cuiabá foi assediado para tomar cartão amarelo;

Santos x Botafogo (10/11) - atleta do Santos foi assediado para tomar cartão vermelho;

Juventude x Palmeiras (10/9) - jogador do Juventude foi assediado para tomar cartão amarelo.

Jogos investigados dos campeonatos estaduais de 2023

Campeonato Goiano: Goiás x Goiânia (12/2) - derrota do Goiânia no primeiro tempo;

Campeonato Gaúcho: Caxias x São Luiz de Ijuí (12/2) - jogador do São Luiz cometer pênalti; Bento Gonçalves x Novo Hamburgo (11/2) -  jogador receber cartão amarelo;

Campeonato matogrossense: Luverdense x Operário de Várzea Grande (11/2) - manipulação de escanteios;

Campeonato Paulista Guarani x Portuguesa (8/2) - cartão amarelo.

Veja a nota do MP-GO:

 O Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência (CSI), deflagrou na manhã de hoje (18/04) a Operação Penalidade Máxima II, visando a obtenção de novos vestígios da atuação de organização criminosa com atuação especializada na manipulação de resultados esportivos de jogos de futebol profissional - inclusive do Brasileirão Série A.

Há suspeitas de que o grupo criminoso tenha concretamente atuado em pelo menos 5 jogos da Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol de 2022, bem como em 5 partidas de Campeonatos Estaduais, entre eles, os campeonatos Goiano, Gaúcho, Mato-Grossense e Paulista, todos deste ano.

Estão sendo cumpridos 3 mandados de prisão preventiva e 20 mandados de busca e apreensão em 16 municípios de 6 estados, expedidos pela 2ª Vara Estadual dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e Lavagem ou Ocultação de Bens Direitos e Valores.

Os mandados estão sendo cumpridos em Goianira (GO), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE), Pelotas (RS), Santa Maria (RS), Erechim (RS), Chapecó (SC), Tubarão (SC), Bragança Paulista (SP), Guarulhos (SP), Santo André (SP), Santana do Parnaíba (SP), Santos (SP), Taubaté (SP) e Presidente Venceslau (SP).

Os Gaecos dos estados de Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, o Cyber Gaeco do MP de São Paulo e do Centro de Inteligência do MP do Rio de Janeiro, além das polícias Militar, Civil e Penal de Goiás, dão apoio ao cumprimento das diligências.

Trata-se de desdobramento da Operação Penalidade Máxima, deflagrada em fevereiro de 2023 a qual resultou no oferecimento de denúncia, já recebida pelo Poder Judiciário, com imputação dos crimes de integrar organização criminosa e corrupção em âmbito desportivo.

Veja a nota da CBF:

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apoia toda e qualquer ação legal que traga transparência e lisura aos campeonatos que organiza e a todo o esporte brasileiro.

A CBF investe uma quantia importante e vultosa no rastreamento e monitoramento de partidas, através da Sport Radar, empresa que atua também para a FIFA e a Conmebol e é mundialmente conhecida por sua expertise neste tipo de trabalho. Isso não acontece somente nas competições que a CBF realiza. A entidade também custeia o mesmo serviço para todas as federações do Brasil.

Interferências externas em resultados ou em situações de jogo são uma epidemia global que, para ser solucionada, precisa punir de forma exemplar e urgente, os responsáveis por essa prática nefasta.

Veja a nota do Luverdense

O Luverdense Esporte Clube informa a todos que tomou conhecimento na tarde desta terça-feira (18/04) sobre a abertura de um processo de investigação sobre a possibilidade de manipulação de resultados em uma partida contra o Clube Esportivo Operário Várzea-Grandense, realizada no dia 11 de Fevereiro.

Acreditamos que, embora haja muitos exemplos comprovados dessa prática desleal, esse fato não tenha ocorrido com nossa equipe que sempre demonstrou extremo profissionalismo e respeito com nosso clube.

Informa ainda que, embora não tenha sido notificado oficialmente, em nome da nossa história de trabalho e luta pelo esporte, e para que não haja mácula sobre a honra do Luverdense Esporte Clube, nos colocamos à disposição das autoridades para contribuir nas investigações e, caso necessário, na punição exemplar dos responsáveis, sejam quais forem.