Abilio quer harmonia com Câmara e rejeita apelido de puxadinho
Declaração de busca por entendimento ocorre após a confirmaçaõ de Ilde Taques como próximo chefe do Legislativo
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), mudou o discurso e sinalizou novamente que pretende manter uma relação harmônica com o vereador Ilde Taques (Podemos), eleito presidente da Câmara para a próxima legislatura. Para Abilio, um eventual conflito entre os dois Poderes poderia gerar problemas tanto para o Executivo quanto para o Legislativo. A fala ocorreu nesta terça-feira (6), após a vitória de Ilde, que recebeu 27 votos.
Em discurso antes da votação, Ilde afirmou que a Câmara não seria vista como um "puxadinho" da Prefeitura e defendeu que fossem estabelecidos limites na relação com o prefeito. A declaração foi uma alfinetada na atual presidente, Paula Calil (PL), que não conseguiu apoio dos vereadores para alterar o Regimento Interno e disputar a reeleição.
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Segundo Abilio, a fala de Ilde foi direcionada à própria base, mas o prefeito acredita que o vereador terá outra postura à frente da Câmara.
"O Ilde do microfone está falando isso para ganhar os eleitores dele, os outros vereadores que votaram nele nesse processo eleitoral. Ele é articulador. Eu duvido que ele, assumindo a presidência, vá fazer um trabalho de oposição. Eu acho que essa não seria a estratégia inteligente para ele conduzir a Câmara Municipal", afirmou.
"Até porque a melhor estratégia para ele conduzir a Câmara Municipal, acredito, seja buscando equilíbrio com seus colegas e uma condução harmoniosa entre os Poderes Executivo e Legislativo. Até porque as duas partes dependem uma da outra. O Poder Executivo depende do Poder Legislativo para aprovar seus projetos, e o Poder Legislativo depende do Poder Executivo para entregar resultados", emendou.
Abilio alegou ainda que seguirá com suas "visitas" semanais à Câmara, independentemente da troca no comando da presidência. Na avaliação dele, é importante manter contato direto com os parlamentares para tratar de matérias de grande relevância. Nos últimos dois anos, porém, essa mesma postura foi encarada por uma ala de vereadores como uma clara interferência na autonomia do Legislativo.