Cuiabá, 07/10/2026

Advogado teria sido espionado por equipe de Taques desde a campanha

Davi Valle/Rdnews

Advogado José do Patrocínio segura telefone, cujo número usa há vários anos

A Procuradoria Geral da República investiga crimes de escutas telefônicas clandestinas envolvendo supostamente pessoas ligadas à equipe do Governo Pedro Taques. O intuito da “arapongagem” seria obter informações privilegiadas, principalmente, de adversários políticos. O caso será tema de reportagem neste domingo (14), no Fantástico, programa da TV Globo.

Um dos espionados foi o advogado José Patrocínio, entrevistado pela reportagem do Fantástico. Ele viu o número do seu celular na lista dos grampeados, em processo apresentado pela reportagem a Patrocínio. “(O jornalista) me colocou a situação que tinha sido espionado por staff do governo atual”, explica ao #rdnews.

Patrocínio foi advogado da coligação “Amor à Nossa Gente”, encabeçada pelo então candidato ao governo Lúdio Cabral (PT), em 2014. O petista era o principal adversário do agora governador Pedro Taques (PSDB). Segundo o jurista, o seu celular foi grampeado durante a corrida eleitoral, em 2014, e após Taques assumir o Paiaguás, em 2015.

De acordo com Patrocínio, as escutas ilegais funcionavam como “barriga de aluguel”, na qual os números dos celulares de uma organização criminosa ligada ao tráfico internacional de entorpecentes foram grampeados e, nesta lista, eram inseridos os telefones de empresários, políticos, inclusive, com foro privilegiado. Ao todo, 120 pessoas teriam sido alvos da arapongagem. O sigilo foi quebrado em Cáceres e as escutas eram feitas online.

O advogado questiona ainda o fato do Gaeco ter arquivado a denúncia sem remeter a órgãos superiores, haja vista que pessoas com foro foram grampeadas. “Isso mostra a fragilidade do nosso sistema, pois autorizam a quebra de sigilo e não sabem a procedência das pessoas que são investigadas. Deveria ter, ao menos, indícios de meu nome envolvido no mundo do crime”, sustenta.

Patrocínio promete ainda ir aos órgãos competentes para saber o teor das investigações. Segundo ele, sua honra foi colocada em jogo quando seu telefone foi grampeado de forma ilegal. “Alguém agiu de forma errada e terá que pagar. Não abro mão de passar essa história a limpo”, reforça. 

Em paralelo ao caso da escuta telefônica vir à tona, o secretário chefe da Casa Civil Paulo Taques foi exonerado, a pedido, pelo governador, na tarde de ontem (11). Taques disse que Paulo volta a cuidar de vários processos judiciais de seu interesse, entre eles, a investigação sobre a denúncia feita pelo ex-secretário de Segurança Pública, promotor Mauro Zaque, e seu adjunto Fábio Galindo, sobre eventual existência de interceptações telefônicas clandestinas no âmbito da Polícia Militar.