Cuiabá, 03/10/2026

Blairo defende pacificação do agro e pede para Carlos Fávaro não olhar retrovisor

 O agronegócio brasileiro apoiou massivamente a reeleição do  presidente da República Jair Bolsonaro (PL), derrotado por Lula no segundo turno

O megaempresário do agronegócio Blairo  Maggi  (PP) defende a pacificação do setor  após a posse do presidente da República Diplomado (Lula) no próximo dia 1º. Na sua opinião, essa será a principal tarefa do senador por Mato Grosso Carlos Fávaro (PSD), confirmado como novo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) nesta quinta (30).

Rodinei Crescêncio

 O agronegócio brasileiro apoiou massivamente a reeleição do  presidente da República Jair Bolsonaro (PL), derrotado por Lula no segundo turno, inclusive com parte dos produtores rurais radicalizados no bolsonarismo. Agora, Blairo Maggi defende que Fávaro precisa trabalhar pela superação do processo eleitoral para possibilitar o desenvolvimento da agricultura brasileira.

  “Qualquer um que assume o ministério, agora no caso específico o Fávaro, tem que se preocupar com o agronegócio como um todo, não se preocupar se é bolsonarista, se é petista, isso ou aquilo. Ele é ministro da Agricultura brasileira, que envolve muitas pessoas, com várias tendências políticas. O objetivo é levar a pasta para frente, fazer com que o agronegócio cresça independente da posição política de cada um”, disse Blairo Maggi, ex-governador de Mato Grosso, ex-senador e ex-ministro da Agricultura no Governo Michel Temer (MDB), ao #rdnews.

Entretanto, Blairo Maggi acredita que a pacificação do setor também passa pelos produtores rurais bolsonaristas reverem seus posicionamentos. Isso porque, segundo ele, o radicalismo não contribui para as melhorias que a agricultura brasileira necessita.

“Entendo que passadas as eleições, os que ficaram de um lado ou ficaram de outro, devem se reposicionar e dar espaço para o governo trabalhar. Deixar que o governo trabalhe, apresente suas propostas e implemente as coisas que precisam ser mudadas ou confirme as que são efetivas e estão dando certo”, completou.

Neste sentido, Blairo Maggi defende que Fávaro atue para aglutinar o setor e desfazer a tensão política que ainda existe. Pontua que isso deve ser feito pensando no agronegócio e não na próxima eleição.

“A próxima eleição virá daqui  a quatro anos e cada um que vá para o lado que quiser   e defenda aquilo que achar que deve ser feito. O que não  cabe nesse momento é essa tensão política. A tensão  precisa ser amainada, reduzida, para priorizarmos o que interessa,  que é o desenvolvimento da agricultura, da pecuária, a abertura de novos mercados, a consolidação de legislação, das normas e regras sanitárias. Tudo precisa sempre ser olhado. O mundo avança rapidamente e as regras de governo são muito lentas para serem mudadas”, enfatizou.

Com exemplo das demandas para constante modernização  do setor, Blairo Maggi lembrou que durante sua passagem pelo Mapa, promoveu a mudança da chamada Regra de Risco 1, que foi consolidada nos anos 50, no Governo de Getúlio Vargas.   Por isso, aconselha Fávaro a não “olhar no retrovisor” e diz que está animado com a nomeação do aliado político.

  “Fávaro não deve  ficar olhando para o retrovisor, tem que  olhar para frente. O que interessa é o que vem na frente, o que ficou para trás deve servir de base para construir outras coisas”, disse.  “Estou animado com a indicação dele. Será um grande ministro e vai ajudar muito Mato Grosso porque estará na mesa com o governo federal, participando das decisões e defendendo os interesses do Estado, não só na agricultura, mas em outras áreas”, concluiu.   

Nas eleições, Blairo Maggi atuou nos bastidores pela vitória de Lula. Contrariando o governador Mauro Mendes (União Brasil), apoiou o deputado federal Neri Geller (PP) ao Senado, candidatura que foi articulada por Fávaro.