Cuiabá, 20/09/2026

Emanuel inaugura HMC, afaga governador e lembra esforço de Mauro para nova obra

Rodinei Crescêncio

Emanuel Pinheiro, durante discurso na entrega do HMC, no bairro Despraiado; emedebista destaca aproximação com Taques a atuação de Mauro

Depois de quatro anos entre licitação e obra, o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) inaugurou o novo Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), para onde será transferido o Pronto-Socorro. Ao custo superior a R$ 100 milhões, a unidade passará a ter pleno funcionamento somente em 8 de abril de 2019, quando a Capital completa 300 anos.

Por determinação judicial da juíza Celma Regina Vidotti, da Vara Especial de Fazenda Pública da Capital, o HMC só poderá funcionar assim que a prefeitura apresentar um Plano Diretor. A medida foi criticada por Emanuel, que disse já possuir um plano de ação que será executado em quatro etapas.

No mesmo sentido, Emanuel também criticou o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Ministério Público Estadual, por terem tomado medidas consideradas unilaterais sem o devido contraditório do município, prejudicando, dessa forma, que a inauguração do HMC já contasse com parte dos serviços de saúde - que deverão funcionar no local, somente a partir de janeiro. O emedebista se refere a determinação do TCE de proibir que parte da gestão da nova unidade seja feita por meio da Empresa Cuiabana, que administra o Hospital São Benedito, e em relação ao fato de o MPE ter provocado o judiciário para impedir o funcionamento do HMC sem Plano Diretor.

“O plano de ativação foi feito em tempo recorde, porque o programa Desafio Chave de Ouro, DA uNIÃO, foi autorizado no começo de setembro. Tivemos que fazer um trabalho recorde para não abrir mão desses R$ 100 milhões, com isso, fizemos um cronograma de ativação do Hospital Municipal de Cuiabá e outro de desativação do Pronto-Socorro, que recebeu elogios junto ao Ministério da Saúde”, especificou.

“Nem Ministério Público e nem o Tribunal de Contas solicitaram esse cronograma, que estava em minhas mãos há meses. São quatro fases de transferência. Imediatamente o novo hospital é um ambulatório, com sete salas ambulatoriais, uma sala de exames, uma sala de pequenas cirurgias e uma sala de curativos. Se não houvesse a adesão judicial já podia entregar hoje em pleno funcionamento”, apontou Emanuel.

Nem Ministério Público e nem o Tribunal de Contas solicitaram esse cronograma, que estava em minhas mãos há meses

Emanuel Pinheiro

Dentro do cronograma do plano de ação, a expectativa é que em 29 de janeiro de 2019 serão entregues as enfermarias masculina e feminina, setor de Raio-X e Ultrassom. Em 25 de fevereiro serão inauguradas duas UTIS e duas salas cirúrgicas. No dia 22 de março mais três UTIs e duas salas cirúrgicas. Na data do aniversário de Cuiabá, em 8 de abril, está programada a transferência completa do Pronto Socorro. Até lá, Emanuel garantiu que continuará com seu gabinete provisório dentro da unidade.

“A partir daí o atual pronto-socorro passará a ser preparado para ser leito de retaguarda do HMC e também hospital materno e infantil de Cuiabá. Fomos surpreendidos pela adesão judicial. Mas decisão judicial não se discute, se cumpre”, garante o prefeito.

Em seu discurso, Emanuel destacou que quem começou a obra foi o governador eleito Mauro Mendes (DEM), à época prefeito de Cuiabá e responsável por construir 25% da obra. O gestor também agradeceu e elogiou o presidente Michel Temer (MDB) por garantir os R$ 100 milhões por meio do programa Desafio Chave de Ouro, que contou com a articulação do senador Wellington Fagundes (PR) e ministro Blairo Maggi (Agricultura).

O chefe do Executivo municipal ainda agradeceu o governador Pedro Taques (PSDB), que como um dos últimos atos como governador foi garantir o repasse de R$ 50 milhões para equipar o HMC. Emanuel chegou a relembrar que começou sua gestão como oposição ao tucano, mas que se aproximou do então adversário político, já que Taques não teria deixado de atendê-lo, mesmo o Estado estando no limite prudencial.

Por sua vez, Taques destacou que a obra não seria possível sem apoio da bancada federal, que destinou R$ 82 milhões para equipar o HMC. Tal montante, no entanto, virou tema de desavença entre Emanuel e Mauro, uma vez que o democrata não concorda com o acordo de devolução do montante,

Mauro conseguiu, no TCE, a suspensão do cronograma que prevê o pagamento em 30 parcelas de R$ 2,7 milhões a partir de janeiro do ano que vem. O dinheiro seria aplicado justamente no custeio do novo Hospital e Pronto Socorro. O  governador diplomado declarou que os equipamentos já foram adquiridos e por isso, não fará devolução de recursos.