Cuiabá, 20/09/2026

Governador vê viés eleitoreiro na criação da escala 5x2: Ninguém quis se expor - veja vídeo

Governador afirma que redução da jornada ganhou força por interesse eleitoral e defende liberdade de negociação entre empregados e empregadores.

Mayke Toscano

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) criticou a postura dos deputados federais que, segundo ele, “viraram a casaca” e votaram a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e prevê dois dias de folga por semana. Em entrevista à imprensa, o governador atribuiu a mudança de posicionamento ao receio de desgaste eleitoral.

Dos 8 federais do estado, 6 deles chegaram a assinar um emenda à PEC para ampliação da carga horária, transição de 10 anos e o corte de impostos e concessão de benefícios a empregadores, porém, na votação que colocaria fim a escala 6x1, seguiram o entendimento da maioria. Questionado sobre esse comportamento, Pivetta disparou: "Oportunismo, é isso mesmo. Ninguém quer aparecer num tema polêmico como esse".

A proposta recebeu votos favoráveis de Coronel Assis (PL), Coronel Fernanda (PL), Emanuelzinho (PSD), Fábio Garcia (União Brasil), José Medeiros (PL), Juarez Costa (Republicanos), Nelson Barbudo (Podemos) e Rodrigo da Zaeli (PL), muitos deles críticos declarados ao texto original. Coronel Assis e Emanuelzinho também votaram a favor da matéria, embora não tenham assinado a emenda que previa a transição de uma década.

Na avaliação de Pivetta, o presidente Lula da Silva (PT) também teria interesse político na tramitação da proposta. Apesar disso, a pauta depende da condução do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e da deliberação do plenário. Mesmo enxergando viés eleitoral na discussão, a maioria dos parlamentares optou por não se opor ao projeto, que agora seguirá para análise do Senado.

“Eu acho que esse tipo de medida é muito mais eleitoreira do que pró-trabalhador. Primeiro pelo ano em que está sendo discutida e pelo ritmo acelerado que foi dado à votação. Não existe como o Estado querer impor regras. Eu sou favorável à liberdade econômica e à negociação”, afirmou o governador.