Mauro reage à ameaça de greve no Judiciário: Comigo isso não funciona
Projeto que prevê reajuste de 6,8% a servidores do TJ tramita na AL; Governo teme efeito cascata em outros poderes, em caso de aprovação
O governador Mauro Mendes (União Brasil) alertou os servidores do Poder Judiciário de que ameaças de greve para pressionar a concessão de reajuste salarial de 6,8% não surtirá nenhum efeito ou fragilização no entendimento do Executivo. O aumento foi solicitado pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJMT), José Zuquim Nogueira, mas tem encontrado resistência, sob a versão de que abriria precedente para outras categorias.
Na quarta-feira (5), o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sinjusmat) acusou o governador de tentar interferir na Assembleia para barrar a proposta e indicou que os servidores vão começar a parar de trabalhar. Mauro rejeitou qualquer tipo de interferência e minimizou a paralisação: "Comigo não funciona ameaça de greve. Se funciona em algum lugar, eu não posso responder. Com o governador Mauro Mendes, ameaça não funciona".
Alair Ribeiro
Os servidores, que estavam acompanhados de Zuquim, da vice-presidente Nilza Maria Pôssas de Carvalho e do desembargador Orlando Perri ficaram revoltados com o pedido de vista do deputado Dr. Eugênio (PSB), na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), o que adiou, em mais uma semana, a segunda votação do projeto sobre o reajuste.
O governador negou que estivesse articulando um enfrentamento ao Poder Judiciário, classificando o pedido como legítimo. Contudo, se a proposta for aprovada e chegar na sua mesa, salientou não terá medo de tomar a "decisão correta", ou seja, vetar o aumento. "Eu não posso fazer enfrentamento com ninguém. Essa é uma discussão que é legítima, é democrática, é da Assembleia Legislativa, como é legítima e democrática também que eu faça as minhas análises e tome as minhas decisões", manifestou.
No projeto enviado por Zuquim, os recursos seriam oriundo do duodécimo a ser repassado anualmente pelo Governo, sendo que já seria pago em 2025, desde de janeiro - ou seja retroativo - com um impacto de R$ 133 milhões em 3 anos. Para o governador, o aumento seria uma afronta, pois abriria precedente para grande revolta dos servidores do Executivo e Legislativo, que também pleiteiam recomposição.
Assim, Mauro fechou as portas, sob a justitificativa da manutenção de equilíbrio fiscal e respeito aos pagadores de impostos: "Se der 7% de aumento para o Judiciário, por que lá na Assembleia Legislativa o servidor não vai querer também mais 7%? Por que que no TRE não vai querer mais 7%? Por que no MP não vai querer mais 7%? Por que que só o Executivo não vai dar os 7%?", questionou.
"Serão R$ 1,6 bilhão [anualmente se todas as categorias quiserem aumento]. E aí nós vamos ter que cortar verba que vai para a imprensa, vai ter que cortar verba que vai para as prefeituras, vai ter que cortar algumas estradas, vai ter que cortar algumas escolas, para realocar esse dinheiro para aplicar nesse tipo de despesa que seria criada. A não ser que se crie um imposto novo no Estado de Mato Grosso. Agora, eu não vou mandar nenhum projeto para criar imposto novo", argumentou.