Não vou distribuir pacotinho de cloroquina nas ruas, é um absurdo, avalia secretário
Christiano Antonucci
O secretário Gilberto Figueiredo (Saúde) durante coletiva; ele se posiciona de forma contrária a distribuição da cloroquina, defendido pela União
O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, classificou como “absurdo” a distribuição de kit com cloroquina e antibióticos. Como não há evidências médicas de que os medicamentos sejam eficazes no tratamento da Covi-19 e ainda há alertas quanto aos efeitos colaterais, o secretário descartou a adoção da medida que vem ocorrendo em alguns estados.
“Quem prescreve remédio é o médico e ele faz isso à luz de exames e análises minuciosas realizadas em cada paciente. Não dá para sair por aí distribuindo pacotinho de cloroquina, temos agido com respaldo de conselhos da área", declarou.
Diversos estudos científicos publicados citam que o uso de hidroxicloroquina não melhora a condição dos infectados e aumenta o risco de piora cardíaca. Mas questão ainda é controversa.
Por outro lado, uma pesquisa que indicou ineficácia do medicamento, publicado pela revista Lancet, tem seus métodos questionados pela Organização Mundial de Saúde. A pesquisa contou com 96 mil pessoas internadas em 671 hospitais e verificou que de 4% a 8% dos medicados com a droga sofreram arritmia.
O uso da droga no tratamento da Covid-19 foi considerado um dos motivos da saída de dois ministros da Saúde, Luiz Mandetta e Nelson Teich, ambos médicos, que discordaram de Bolsonaro sobre o tema. Recentemente, o ministério da Saúde alterou o protocolo do uso do medicamento e expandiu a sua aplicação.