Cuiabá, 29/09/2026

Obra do COT do Pari abandonado e com as 3 mil cadeiras sem cobertura

Complexo que seria para a Copa do Mundo custou R$ 25,5 mi; no local não há nem vigilante

Foto: Romilson Dourado

Mesmo sem concluir cobertura das arquibancadas, as 3 mil poltronas foram colocadas pela Kango Brasil e hoje estão ao relento no COT do Pari, em Várzea Grande

A obra do Centro Oficial de Treinamento da Barra do Pari, em Várzea Grande, é um exemplo de má gestão, de ingerência e de como se joga fora o dinheiro público. Orçada em R$ 25,5 milhões, deveria ter ficado pronta em maio do ano passado. Hoje, oito meses depois, está completamente abandonada. O Rdnews visitou o COT neste sábado à tarde. Por mais de uma hora, não encontrou nem segurança no local para cuidar da estrutura, dentro de uma área de 52 mil metros quadrados.

Para se ter ideia, os 3 mil assentos flexíveis e dobráveis, inclusive de boa qualidade, estão ao relento. Foram vendidos e montados pela empresa paranaense Kango Brasil, a mesma que negociou as cadeiras da Arena Pantanal. A numeração em alguns assentos não existe mais. Numa parte do que seria a cobertura foi levantada apenas a armação. Está sem cobertura. Na outra, não se colocou a estrutura, que se encontra amontoada do lado de fora. Como as cadeiras já estão fixadas, fica impossível concluir a cobertura sem danificá-las. Seria como, na construção de uma casa de alvenaria, colocar o piso e deixar a cobertura para depois.

O Consórcio do Pari, que tem a Engeglobal como uma das integrantes, abandonou a obra. Numa placa a empreiteira, por descuido, deixou escrito que “estava trabalhando há 97 dias sem registro de acidente e afastamento” e que “o nosso recorde é de 277 dias”. De fato, não corre risco nenhum de haver acidente numa obra que está paralisada há 240 dias.

Foto: Romilson Dourado

Placa indica que obra do COT do Pari está orçada em R$ 25,5 mi e com verbas do Ministério dos Esportes e do governo de MT, por meio da Secopa e aval da CEF

Até a placa com as informações sobre a obra, fixada na entrada, está caída. Foi preciso levantá-la para ver o que está escrito. Informa que a construção teve início em outubro de 2013 e que seria concluída em maio de 2014, um mês antes dos jogos da Copa do Mundo. O governo Silval Barbosa é quem leva o carimbo da incompetência sobre essa obra. Os R$ 25,5 milhões que estão escorrendo pelo ralo vieram do Ministério dos Esportes, por meio da Caixa Econômica, e do governo estadual, sob responsabilidade da Secopa, extinta agora sob o governo Pedro Taques.

Com esse dinheiro seria possível construir, por exemplo, 520 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, ao custo unitário de R$ 49 mil já pronta e com toda infraestrutura. O governador Taques ainda está avaliando sobre o que fazer sobre a obra do Cot do Pari para evitar que se torne elefante branco.

A estrutura lateral do campo, levantada para abrigar várias salas, como de musculação, alojamento, lavanderia, administrativo, refeitório e restaurante, não foi totalmente concluída. E as salas que se encontram em fase de acabamento apresentam infiltração, rachaduras e vidros quebrados. Escondem ali mau cheiro e botinas velhas deixadas pelos operários da obra. 

O campo recebeu grama sintética, que está sendo tomada por ervas daninhas. Duas torres de iluminação foram colocadas. Salas de imprensa, cabines de transmissão, vestiários e camarotes estão na fase de acabamento. Numa região isolada, o espaço onde seria estacionamento para 250 veículos está sendo destruído pela chuva e enxurrada. As caixas d'águas estão sem tampas. Essa é a realidade daquilo que seria um "belo e exemplar modelo" de centro oficial de treinamento.