Cuiabá, 08/11/2026

Percival diz que fase de prisões de Taques passou e população quer um Mujica de MT

Ex-prefeito Percival Muniz não descarta que partido caminhe para uma oposição a Pedro Taques em 2018

 Percival Muniz, ex-prefeito de Rondonópolis

Numa avaliação do governo Pedro Taques (PSDB), o presidente do PPS em Mato Grosso e ex-prefeito de Rondonópolis, Percival Muniz, acredita que a população mato-grossense quer um perfil mais popular no comando do Estado, no estilo de José Mujica, já classificado como "presidente mais pobre do mundo". Mujica foi presidente do Uruguai entre 2010 e 2015 e hoje é senador.

“Nós temos que ter um perfil no Estado mais ou menos  como o Uruguai teve. A presidência do Mujica. É aquele perfil. A população está querendo um Mujica de MT – alguém que seja humilde, simples e, ao mesmo tempo, parceiro dos cidadãos”, disse ele à rádio Capital FM nesta quinta (29).

Para Percival, Taques surgiu em 2014 com uma proposta de combater a corrupção, frear o mau uso dos recursos públicos e punir responsáveis, mas o ex-prefeito acredita que o momento é outro. Pondera que o tucano já prendeu gente para todos os lados e o povo agora precisa que o Estado se desenvolva.

“Acho que o Pedro cumpriu o papel no momento daquele ano eleitoral e acho que o momento político para o Estado agora é de projeto de desenvolvimento, de valorização das forças políticas, econômicas e sociais do Estado”

“O que nós precisamos, no meu entender, é focar no desenvolvimento. Deixar que aquela instituição (Estado) cumpra sua tarefa. Que o Judiciário cumpra sua parte, que o Legislativo faça sua parte e o Executivo seja o indutor do desenvolvimento da geração de emprego e renda para o povo”, complementa.

Nessa linha, analisa que ainda não vê um cenário político em construção para 2018. Defende Taques quando diz que o tucano cumpriu o que se propôs a fazer e era o que a sociedade precisava naquele momento. Contudo, acredita que as forças políticas precisam encontrar um novo projeto a partir do ano que vem.

“Acho que o Pedro cumpriu o papel no momento daquele ano eleitoral e acho que o momento político para o Estado agora é de projeto de desenvolvimento, de valorização das forças políticas, econômicas e sociais do Estado. Vai exigir um novo cenário”.

Na opinião de Percival, para o Estado se desenvolver é preciso ouvir todos os segmentos.  Cita, por exemplo, que os comerciantes não têm com quem conversar. Da mesma forma, os pequenos agricultores. A maioria deles não encontra esperança no dia de amanhã. Cita, ainda, os médios e grandes pecuaristas que não tiveram  apoio de políticas públicas após a operação Carne Fraca e que têm a produção "caindo drasticamente".

Possível oposição em 2018

Diante da insatisfação com o governo, o ex-prefeito não descarta a possibilidade de o PPS seguir em uma oposição a Pedro Taques, mas ainda busca um entendimento para caminharem juntos. Aponta que o partido é pequeno e influencia muito pouco, mas que é uma legenda de construção do futuro. Destaca que a sigla ajudou  o Governo de Blairo Maggi, Dante Oliveira e do próprio Pedro Taques.

“Nós queremos construir esse novo momento. A gente percebe que está se exigindo uma postura diferenciada do que vem até agora. Necessariamente, não precisa ser oposição, pode até ser o mesmo governo, orientando de forma diferente e criando um rumo e uma nova postura de desenvolvimento. Se não for, poderá ser outra alternativa”, finaliza.

Mujica

Mujica teve um dos governos mais populares do mundo ao levar uma vida espartana e doar a maior parte do salário. Como presidente do Uruguai, que tem 3,3 milhões de habitantes - mesma quantidade demográfica de Mato Grosso - resgatou conselhos salariais e reduziu o índice de pobreza. Também tem entre suas ações uma lei que permite a produção, venda e consumo de maconha. Hoje senador, tem a popularidade em queda ao ponto de a rejeição (antipatia) subir de 15% para 44%, mas ainda é o político mais popular de seu país.

O ex-guerrilheiro também tem no currículo o combate à ditadura civil-militar no Uruguai (1973-1985). Segundo dados do Wikipédia e jornais, na guerrilha, coparticipou de assaltos, sequestros e do episódio conhecido como Tomada de Pando, ocorrido em 8 de outubro de 1969, quando os tupamaros tomaram a delegacia de polícia, o quartel do corpo de bombeiros, a central telefônica e vários bancos da cidade de Pando, situada a 32 quilômetros de Montevidéu. Mujica passou 14 anos na prisão, de onde só saiu no final da ditadura, em 1985.